Fake news: o mais novo pretexto para censura ideológica

Fake news ou notícias falsas, é a expressão que mais se ouve falar nos dias de hoje através das redes sociais. Há pouco tempo, agências checadoras de informações foram contratadas pelo Facebook para verificar a veiculação de notícias, emitindo parecer sobre sua veracidade. O problema disso tudo? Não é uma luta legítima, é apenas um esforço conjunto para censura político-ideológica.
Por  Renata Barreto
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Hoje, 25 de julho, mais de 190 páginas de direita ou liberais foram banidas do Facebook. Alega-se que essas páginas divulgam notícias falsas, mas isso não foi provado. Além disso, perfis pessoais ligados a essas páginas também foram apagados, sob a mesma alegação ou, sob a alegação de serem perfis falsos. Entretanto, pelo menos 6 conferidos por mim não tinham nada de falsos, eram apenas ligados, de alguma maneira, às paginas banidas. Até páginas de familiares de perfis tidos como falsos por esse tribunal inquisitório esquisito do Facebook foram apagados. 

Não é de hoje que nota-se um tremendo esforço, com ares de bom-mocismo, para acabar com páginas que transmitem conteúdo com viés político. Eu fui uma das pessoas que se posicionou contra as agências checadoras porque, afinal, a liberdade de expressão é maior do que qualquer bobagem a ser dita por aí. Com a desculpa de filtrar a rede, agências de viés muito claro foram contratadas para verificar informações, mas o que vemos é apenas uma tentativa de censurar conteúdo que não agrada. Basta ver a quantidade de páginas de esquerda que divulgam informações falsas todos os dias e que nada acontece. No meu entendimento, a resposta não é censurar nem uma nem a outra, já que a única forma coerente de combater fake news é com o próprio senso crítico de cada um. Quem garante que os checadores são isentos? Já sabemos, inclusive, que não são. Depois de uma breve pesquisa no próprio Facebook, os perfis dos donos e colaboradores das agências foi exposto, com um viés claro de esquerda. A resposta? Bloquearam os perfis para o público e classificaram a exposição como “discurso de ódio”, quando era apenas uma prova de não existe checador isento e, por isso, não se deve jamais proibir qualquer conteúdo de ser exposto.

Leia mais:

– Facebook retira do ar páginas ligadas ao MBL por “fake news”; Movimento fala em censura
– Ministério Público dá 48 horas para Facebook explicar retirada de 196 páginas do ar

Guilherme Boulos, candidado à presidência pelo PSOL, foi um dos que comemorou o banimento das páginas, já que uma parte delas é ligada ao MBL. Disse ele em seu Twitter que o MBL é “uma organização criminosa”, afirmação que cabe processo. Boulos, que organiza invasões à propriedades privadas e defende black blocks, é um dos que divulga notícias falsas e/ou emite opinião como sendo fato, como no caso do processo de Impeachment de Dilma, o qual ele e tantos outros chamam de golpe. Não houve golpe, todo o processo foi feito sob a lei. Não é uma questão de opinião. Se a regra valesse igual para todos, boa parte das páginas de esquerda, inclusive de políticos, teria sido banida. 

As eleições se aproximam e, com isso, a vontade de jogar sujo impera. O Facebook, como muitos falam, é uma rede privada que tem regras e, portanto, pode banir quem desejar, se contrariar essas regras. Lendo os termos de usuário, a parte que fala de fake news é extremamente vaga e não fala nada (e nem poderia) sobre proibição de conteúdos conservadores e liberais. Com a contratação das agências, páginas e perfis estão sendo removidos de forma arbitrária, sem chance de defesa e, não por acaso, sendo alvos de difamação, também passível de processo. Deletar uma conta por ser divulgadora de Fake news? Segundo os termos de serviço, é possível. Mas é preciso provar. Essa censura pode ser, inclusive, considerada como uma forma de interferência das eleições no Brasil, fazendo a história da Russia nos EUA, ridícula.

Eu, sendo economista, já mostrei diversas vezes na minha página pessoal como afirmações sobre determinadas questões econômicas eram erradas ou falsas. Já disseram que rating não importa, que dólar subir não impacta a vida das pessoas, etc. Já expliquei sobre a queima de caixa da Petrobras e a utilização política da empresa (como instrumento de política monetária, inclusive), expliquei o que aconteceu na quebra de contrato com empresas de energia e a conta que todos os pagadores de impostos iriam receber, expliquei até sobre a história de que as pedaladas fiscais se tornaram legais após o impeachment, uma baita mentira divulgada inclusive pela grande mídia. No texto original, não se falava nem sobre pedaladas, mas sobre créditos suplementares. Todas essas afirmações erradas são feitas diariamente por páginas de políticos, páginas de artistas e, claramente, nenhuma delas foi banida ou advertida. 

O Ministério Público Federal já pediu esclarecimentos ao Facebook. E eu espero que não fiquemos de braços cruzados vendo o processo de decisão eleitoral se tornar um jogo de cartas marcadas. O Facebook e outras redes sociais se tornaram cruciais na divulgação da informação fora da grande mídia, que tem interesses escusos na preservação da ignorância. Foi pelo Facebook que as maiores manifestações da história recente do país foram marcadas, que houve apoio popular massivo ao impeachment e que pudemos ler informações de fontes diferentes das comuns, muitas vezes enviesadas e cheias de mentiras. Como combater o excesso de informações falsas que as próprias grandes mídias (apoiada pelo Facebook e outras redes) informam? Apenas com a garantia de que todas as vozes serão ouvidas. Cada um de nós irá ler e acreditar naquilo que julgar procedente, de acordo com seu próprio senso crítico. 

Censura jamais será uma boa opção.

“Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-la.”

Renata Barreto Renata Barreto é economista com especialização em derivativos, atua no mercado de capitais há 15 anos com experiência em trading, advisory e estruturações. Hoje concentra seu trabalho em investimentos e produtos internacionais, além de escrever sobre política e economia.

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