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A exemplo dos bancos, venda de créditos inadimplentes vira tendência também entre grandes varejistas no Brasil

Apetite para investimentos em portfólios de créditos deve crescer até 2022, passando dos R$ 40 bilhões, segundo estudo da Deloitte

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Não é novidade que a inadimplência tem aumentado no Brasil por conta das consequências econômicas oriundas da pandemia da Covid-19, mas já era uma realidade do país.

Para se ter uma ideia, 62,56 milhões de brasileiros estavam endividados no mês de maio, de acordo com o Mapa da Inadimplência no Brasil. O volume de dívidas se concentra, majoritariamente, nos bancos, contas de consumo e compras do varejo.

O que é um problema para as instituições credoras pode representar, ao mesmo tempo, uma oportunidade nova de se fazer caixa a partir desses créditos e, assim, reduzir o prejuízo causado pela inadimplência.

Já há muito tempo os bancos comercializam seus créditos não performados ou inadimplentes (conhecidos no mercado como NPLs – Non-Performing Loans, em inglês) – ou seja, aqueles créditos que não foram pagos e que são assumidos por empresas especializadas, que compram esses créditos e fazem as cobranças ao devedor. Resumindo: o banco vende seus créditos inadimplidos, reavendo, assim, parte do dinheiro.

O que é novidade, no entanto, que tenho percebido como uma tendência que está ganhado cada vez mais força e veio para ficar é que não são só mais bancos e financeiras que têm comercializado seus créditos inadimplidos.

Grandes varejistas começaram, nesta pandemia, a procurar formas de fazer caixa e suavizar o impacto da inadimplência em suas operações. Assim, passaram a fazer a cessão de seus créditos não performados a investidores especializados na aquisição desses créditos.

Esse movimento, que começou pelos bancos e ganha agora força com as varejistas, não deve parar por aí e irá, provavelmente, se expandir cada vez mais, apresentando uma expectativa muito boa para a economia. Empresas de serviços por exemplo, contam com carteiras vastas de NPLs e podem começar a apostar cada vez mais na comercialização de seus créditos.

Oportunidades para organizações que querem e/ou precisam repassar suas dívidas não faltam. A pesquisa Mercado de Cessão de Créditos, que conduzi junto ao meu time na Deloitte recentemente, revela que a estimativa de instituições especializadas na compra de dívidas é de crescimento de 50% no volume transacionado este ano, em comparação a 2020.

Após queda no volume de transações no ano passado, o apetite para investimentos em portfólios de créditos deve crescer até 2022. O valor de face a ser vendido também tende a aumentar substancialmente em 2021: entre os vendedores pesquisados, esse valor deve chegar a R$ 33,3 bilhões – estimativa que deve ser superada, passando dos R$ 40 bilhões, considerando todos os players de mercado.

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As empresas que compram NPLs devem investir em 2022 cerca de R$ 7,2 bilhões nesse tipo de transação. Importante destacar aqui que a projeção de R$ 33,3 bilhões em carteiras a serem vendidas não corresponde ao valor que efetivamente será negociado, pois como se trata de empréstimos que os devedores não conseguiram pagar, essas carteiras são vendidas com um desconto.

As carteiras de créditos não performados que serão priorizadas pelos investidores do setor no ano que vem, de acordo com a pesquisa, são: crédito massificado sem garantia (empréstimo pessoal, CDC, crédito rotativo), single names, carteiras de acordos, financiamento imobiliário, crédito massificado com garantia, crédito para Pequenas e Médias Empresas, precatórios e consignados.

A ordem de prioridades muda de posição entre NPLs com até 90 dias de atraso e os com mais de 90 dias de atraso, mas as categorias são as mesmas.

Os principais setores para o desenvolvimento da prática de compra de créditos, de acordo com os participantes da pesquisa da Deloitte, no grupo massificado, são: bancos, varejo, fintechs, financeiras e setor público.

Falando do grupo de Corporate, os principais setores para o desenvolvimento da compra de crédito pelos investidores são: bancos, setor público, financeiras, fintechs e utilities. A principal fonte de recursos dos investidores respondentes são recursos próprios (55%), fundos de investimento (30%), parceiro estratégico/controlador (11%) e emissão de debêntures (4%).

Do lado de quem vende os créditos, os principais motivos que levam a realizar a venda dos ativos, tanto para créditos performados quanto para os não performados, são o foco no core business/melhorar alocação dos recursos, reduzir riscos do portfólio, atingir resultados esperados/liquidez imediata, gerar caixa, melhorar a performance no balanço, responder a alterações no ambiente regulatório e utilizar benefícios tributários.

A pesquisa conclui, portanto, que há um volume expressivo de créditos a serem comercializados e um forte apetite de negociação de ambas as partes. Diante disso, é fácil afirmar que a compra e venda dos créditos é uma modalidade de negócios que tem crescido, tem espaço para crescer ainda mais e deve alcançar empresas dos mais diversos setores daqui para frente no Brasil, a exemplo do que já acontece nos países de economias mais avançadas.

Luis Vasco

É sócio da área de Financial Advisory da Deloitte no Brasil, participando ativamente em Reestruturações Financeiras, Turnaround, Distressed M&A e de Vendas de Créditos não performados. Atua também como Administrador Judicial em vários casos relevantes da Lei de Recuperação de Empresas e Falências.

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