Cuba está virando um país capitalista graças ao dinheiro do Brasil?

Governo de Raúl Castro pretende instalar ZEEs assim como Deng Xiao Ping fez na década de 70, na China

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SÃO PAULO – O governo de Dilma Rousseff foi duramente acusado de estar transformando o Brasil em um país socialista ao importar milhares de médicos cubanos para atuar no sistema público de saúde. Com a nação de Fidel Castro e a Venezuela como grandes expoentes, o Brasil estaria “ameaçado” pelo velho fantasma do comunismo – que aterroriza os países desde o século XIX. 

Errado. Antes que o Brasil se torne socialista é mais provável que Cuba venha a se tornar a mais nova economia de mercado do continente americano – e com a decisiva influência brasileira. A começar pela constituição cubana, que nos últimos anos erradicou a linha que pregava igualdade absoluta entre as pessoas – um ideário comunista – e passou a falar apenas em “igualdade de condições”, uma leitura mais social-democrata. 

Agora, o governo de Raúl Castro, que “herdou” a ilha de seu irmão em 2009, pretende instalar ZEEs (Zonas Econômicas Especiais) – assim como Deng Xiao Ping fez na década de 70, na China. Isso faz com que Cuba comece a adotar o lema do gigante asiático de “um país e dois sistemas”. 

A primeira zona deverá ser instalada na província de Artemisa, bastante próxima de Havana, capital do país. É lá que se encontra o Porto de Mariel, que foi renovado com investimentos brasileiros que totalizaram US$ 900 milhões – sendo que US$ 640 milhões vieram de um empréstimo do governo petista. Esse porto começa a funcionar em dezembro.

A ideia do governo de Raúl Castro é que a região seja transformada em uma zona de trânsito de mercados e contâiners. Além disso, espera-se que sejam instaladas fábricas e indústrias. Tudo isso é fruto de uma nova lei, elaborada a partir de “experiências nacionais e internacionais”. 

Haverá, nestas regiões, um regime especial de condições trabalhistas, na qual o trabalhador será remunerado de acordo com sua produção e qualidade dos produtos. Assim, espera-se um aumento em relação ao pagamento médio do restante da ilha – o que deve colaborar para atrair mais trabalhadores para a região. E parte dos brasileiros com medo dos médicos de lá. 

Felipe Moreno

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