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OPA da Coelce: receber 20% de prêmio realmente é bom negócio para o acionista?

Apesar da atrativa oferta de R$ 49,00 feita pela Enersis, gestor acredita que potencial de longo prazo da companhia reserva um rentabilidade muito melhor

linhas de transmissão de energia elétrica 4
(Marcello Casal Jr/ABr)

SÃO PAULO - Na última quarta-feira (15), a Coelce (COCE5) anunciou que o conselho da holding chilena Enersis, uma de suas principais acionistas, aprovou uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) pelas ações da companhia cearense de energia que estão em circulação no mercado. O valor ofererecido pelo acionista equivale a R$ 49 por ação, o que embutia um prêmio de 20% em relação às cotações da época dos papéis da Coelce - notícia que naturalmente animou os investidores, provocando uma disparada de mais de 10% de COCE5 no pregão do anúncio da oferta. Mas apesar do gordo valor adicional oferecido pelos chilenos, será que a oferta será realmente vantajosa para o acionista?

Vista como a melhor empresa do setor de distribuição de energia no Brasil, a Coelce é apontada por analistas como um ativo bastante defensivo - característica marcante do setor, dada a baixa necessidade de novos investimentos e a demanda inelástica de seu principal produto vendido. Além disso, a companhia já foi diversas vezes premiada por sua gestão, e tem um cenário de risco menor quanto às suas concessões, já que elas vencem apenas em 2028. Aliado a tudo isso, é importante ressaltar que em 2012 a Enersis havia feito uma reavaliação dos ativos presentes em seu portfólio e concluiu que a empresa cearense estava sendo negociada na Bolsa abaixo do que ele acreditava que ela deveria valer, uma clara sinalização de que ele poderia realizar uma OPA a qualquer momento para aumentar sua parcela no grupo. Com essa possibilidade por trás, o risco de quedas das ações da companhia na Bovespa diminuíam drasticamente.

Os gestores da Edge Investimentos, Bernardo Dantas e Alexandre Martins, que possuem ações da Coelce em seus fundos desde 2009, acreditam fortemente no potencial da companhia para os próximos anos, fato que, se concretizado, pode fazer com que esta oferta de R$ 49,00/ação não seja tão atraente assim dada a expectativa de valorização no papel. Contudo, eles acreditam que o momento desfavorável do setor elétrico nos últimos anos tem dificultado uma avaliação mais positiva por parte do mercado. Em 2013, enquanto o índice de ações das empresas de energia, o IEE, caiu 8,82%, as ações da Coelce recuaram "apenas" 1,23%. Papéis como o da Eletropaulo (ELPL4) despencaram 44,23% no período, enquanto o melhor desempenho ficou com a Cesp (CESP6), que conseguiu se valorizar 23%.

Mesmo com a queda no ano passado, os gestores ressaltam o fraco desempenho do resto do setor no período. "Sempre acreditamos que a Coelce tinha muito potencial, ela é a melhor empresa do setor no Brasil. Porém, em 2013, a companhia foi impactada negativamente por efeitos não-recorrentes, o que criou uma ilusão de que o cenário não é positivo", explica a dupla. Tais efeitos foram vistos no balanço do 3º trimestre de 2013, trazendo despesas extraordinárias e baixa de ativos. Segundo o resultado da companhia, o Ebitda da Coelce foi afetado em R$ 46 milhões por efeitos não-recorrentes, como ajuste para adequação dos saldos contábeis e constituição de provisão para baixa de bens com VNR (Valor Novo de Reposição) igual a zero. Porém, mesmo com esses eventos, os gestores deixam claro que esses números não mudaram a visão positiva que eles têm sobre a empresa.

A Enersis é uma das maiores companhias privadas de energia da América Latina, com negócios voltados para geração, transmissão e distribuição em países como Argentina, Brasil, Chile, Colombia e Peru. A companhia é controlada pela espanhola Endesa, que possui 60,62% de participação na Enersis.

OPA veio em boa hora - para os chilenos
Sobre o laudo de avaliação feita pela holding chilena em 2012, os gestores reforçam que, como o principal acionista da Coelce já acreditava que ela deveria valer mais do que era negociada na bolsa brasileira, em alguma hora uma movimentação de compra poderia aparecer. "Faltava apenas o momento certo para o lançamento da OPA", explicam Dantas e Martins.

E esse momento surgiu depois de maio de 2013: naquele mês, elas chegaram a ser negociadas na faixa de R$ 50,00 - seu maior patamar da história -, mas logo engataram um movimento negativo, chegando a valer R$ 37 no começo de julho. Dali até o final do ano, os ativos COCE5 oscilaram na banda entre R$ 37 e R$ 43. "Com esse impacto negativo, surgiu o momento perfeito para a Enersis realizar sua oferta de compra, já que ela pode colocar um prêmio bastante positivo e mesmo assim ele não ser o melhor", explicam os gestores.

Em meio a esse cenário, o que é mais vantajoso para o minoritário: aceitar os R$ 49,00 por cada ação da Coelce dos investidores chilenos ou recusam à espera dessa possível valorização? "Não posso afirmar que os minoritários tenham o que comemorar com essa oferta, isso parte de cada um. Mas, se por um lado o prêmio é bom, existe realmente a chance dos papéis superarem esses R$ 49,00 sem a OPA", concluem os gestores da Edge Investimentos.

Resta saber o que os acionistas da companhia cearense irão definir. A data marcada para o leilão é dia 17 de fevereiro, com início às 16h (horário de Brasília), devendo o pagamento do preço da aquisição ocorrer no dia 20 de fevereiro.

 

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