Em cielo

Ação da Cielo desaba até 6,6% após reduzir dividendo e analista alerta para "grande cilada" em ter o papel

Empresa sofre com as inovações das concorrentes e papel cai mais de 15% no ano, em meio ao cenário mais desafiador

Cielo 02 - Maquininha de cartão
(Divulgação Cielo)

SÃO PAULO - A ação da Cielo (CIEL3) desabou mais de 4% nesta segunda-feira (27) após a empresa de meios de pagamento anunciar, na última sexta, uma redução de dividendos de R$ 3,5 bilhões fixos em 2018, para 30% do lucro líquido nos próximos três trimestres de 2019. Na mínima do dia, os papéis chegaram a desabar 6,60%

Em comunicado ao mercado, a companhia também anunciou que não seguirá com seu guidance (projeção) de lucro de R$ 2,3 a R$ 2,6 bilhões este ano. "Tais decisões refletem o ambiente competitivo no qual a Cielo está inserida e que tem se tornado mais acirrado ao longo dos últimos meses em face de ações anunciadas e implementadas por outras companhias do setor", justificou a empresa.

A companhia ainda comunicou a seus acionistas a renúncia de Rogério Magno Panca do Conselho de Administração. 

Mais uma vez, a grande vilã para a Cielo é a forte concorrência, que aumentou muito nos últimos trimestres e reduziu o potencial de lucros, conforme destaca a equipe de análise da XP Investimentos. "O principal impacto foi a iniciativa da Rede anunciada em abril, cortando taxas de antecipação e reduzindo o período de liquidação das transações de cartão de crédito de parcela única", aponta em relatório. 

Já os analistas Felipe Bevilacqua e Eduardo Guimarães, da consultoria Levante Ideias de Investimento, escreveram em relatório intitulado "Nota de falecimento: CIEL3", que têm uma visão negativa sobre a empresa desde o ano passado. "Apesar de alguns especialistas do mercado gostarem bastante da Cielo e ainda insistirem em defender a tese de investimento da empresa, acreditamos que é muito perigoso tentar pegar uma 'faca caindo'. Definitivamente, é uma grande cilada!", comentaram. 

Para eles, a vantagem da Cielo está sumindo rapidamente, uma vez que o setor de meios de pagamento vive um momento de inovações disruptivas competitivas por parte de todos os concorrentes.

"Acreditamos que a empresa descontinuou a divulgação do guidance de resultado líquido porque não iria atingir a meta prevista e não tem visibilidade de quanto mais o seu resultado líquido pode cair em resposta à guerra de preços deflagrada no mercado das maquininhas", ressalta a Levante. 

Hoje, cada papel ordinário da companhia cai 4,5% na Bolsa, o que torna a ação da Cielo a de pior desempenho dentre todas as que compõem o Ibovespa nesta segunda-feira. No ano, as ações desabam 16%. 

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