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Contra-ataque da Cielo ainda não convence mercado após resultados fracos

Receita líquida ficou 9% abaixo do consenso do mercado e investida em microempreendedores parece não ser o suficiente, segundo o Morgan  

LIO Cielo
(Paula Zogbi)

SÃO PAULO – A Cielo divulgou resultados referentes ao primeiro trimestre de 2019 na noite da última terça-feira (24). Novamente, os números decepcionaram o mercado.

Embora a base de terminais instalados tenha crescido 8% trimestre a trimestre, e a de clientes ativos, 1,9%, os números não foram suficientes para amenizar o sentimento negativo de analistas. Eles ainda não estão convencidos da capacidade da empresa evitar a queda no market share.  

“Ainda não há evidência de que o posicionamento mais agressivo em preços e estratégias de marketing terão impacto na estabilização do market share”, escreveram analistas do Morgan Stanley em relatório sobre os resultados.

Eles destacam que a base ativa de clientes no segmento de microempreendedores subiu pouco: “apenas 188 mil em termos anualizados”. Para eles, a velocidade de crescimento nesta frente “levanta questões sobre o sucesso da companhia neste segmento”, onde a concorrência tem apresentado excelentes números.

Para analistas da XP Investimentos, ainda é necessário aguardar o posicionamento da empresa frente às novas estratégias de concorrentes como Rede, SafraPay e PagSeguro para entender se a gigante das maquininhas está na direção certa. 

O contra-ataque

O foco da empresa no momento é retomar a base de clientes em meio à guerra de preços aquecida por novos entrantes no mercado de adquirência. Entre as maiores preocupações estão os bancos, como o Itaú e o Safra, que aproveitam sua capacidade de gerar receita em outros produtos para oferecer taxas agressivas no segmento de maquininhas.  

Em coletiva de imprensa nesta manhã, o CEO da empresa, Paulo Cafarelli, disse estar “fazendo o dever de casa para continuar na liderança do setor” com o objetivo de “garantir o menor custo final para o cliente”. Segundo ele, a perda nos resultados era “esperada” justamente por conta desse posicionamento.

Ele anunciou que alguns lojistas receberão de volta o dinheiro pago pelas maquininhas da empresa e que o pagamento imediato, aos moldes do que fez a PagSeguro no início da semana, também será disponibilizado. 

Graças ao posicionamento mais ofensivo, com queda nos preços e na participação de pequenas e médias empresas na base de clientes, o lucro líquido ajustado, medido nos padrões internacionais, ficou em R$ 562 milhões, queda de 44% ano a ano e 9% abaixo do esperado pelo mercado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recuou 34% para R$ 1,2 bilhão.

A receita líquida ficou praticamente estável, em R$ 2,7 bilhões. Segundo a companhia, o resultado reflete o aumento na captura de volume de 3% e da adequação do patamar de precificação da empresa ao mercado em meio ao aumento da competição no setor. Por outro lado, este efeito foi mitigado pelo maior volume de pagamento em dois dias.

A empresa espera que seu lucro líquido consolidado fique entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,6 bilhões neste ano. A recuperação do crescimento financeiro é um foco apenas para 2020: este ano será completamente voltado à recuperação de participação no mercado.

A ação da Cielo teve oscilação forte no início do pregão e chegou a subir 5%. À tarde, porém, passou a cair consistentemente. Às 16h51, caía 4,31%. 

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