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Como o contra-ataque da Cielo afetará o mercado de pagamentos em 2019, segundo gestores e analistas

Morgan Stanley fez uma pesquisa sobre um dos mercados mais aquecidos do Brasil; ação da Cielo tende a continuar volátil em 2019  

Cielo - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO – Após resultados fracos no quarto trimestre de 2018, a Cielo (CIEL3) prometeu medidas intensas em 2019 buscando retomar um mercado perdido nos últimos anos para concorrentes menores. O mercado financeiro já prepara suas carteiras para esse contra-ataque.

Uma pesquisa do Morgan Stanley com 57 investidores institucionais, entre gestores (buy side) e analistas (sell side) descobriu opiniões consideravelmente dispersas entre gestores na perspectiva da receita líquida, demonstrando que os efeitos da decisão administrativa da Cielo ainda são nebulosos.

Ao dizer que irá priorizar retomada de mercado sobre margens financeiras, incluindo preços menores para os clientes, a Cielo criou grande dispersão entre gestores. Parte significativa deles espera resultados sólidos, enquanto outra parcela igualmente expressiva está mais cautelosa e prefere ficar de fora do papel que mais caiu no Ibovespa em 2018.

Esse descompasso, por si, deve criar enorme volatilidade para o papel da maior empresa de pagamentos do Brasil, já que fundos normalmente compram e vendem grandes volumes de ações de uma só vez, movimentando rapidamente os preços. Como o foco da empresa é justamente tomar clientes que migraram para a concorrência, a volatilidade deve atingir também Stone e PagSeguro, listadas na Bolsa dos Estados Unidos, diz o Morgan.

Stone: maior incerteza

Entre as duas jovens empresas que abocanharam mercado recentemente, os gestores demonstram maior preocupação com Stone do que PagSeguro. Na pesquisa do Morgan, 69% dos gestores estimaram resultados abaixo dos analistas para a Stone. No caso da dona das “moderninhas”, o número cai para 47%.

Quase a totalidade (95%) dos respondentes da pesquisa do Morgan acreditam que a estratégia de baixar preços da Cielo terá impacto entre “modesto” e “significativo” para a Stone em termos de vendas diretas. A maior parcela (64%) votou em “significativo”.

Quanto à PagSeguro, a maioria espera impacto “nenhum” (21%) ou “modesto” (58%). Houve até uma pequena parcela (2%) que assumiu impacto “positivo” para as Moderninhas decorrente da estratégia agressiva da Cielo.

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“Considerando seu mercado-alvo exclusivo [Pequenas e Médias empresas] e vantagens competitivas significativas, a visão para Pagseguro faz sentido para nós”, opinam os analistas do Morgan.

Crescimento esperado

Na média, a pesquisa entre gestores indica perspectiva de lucro de R$ 1,49 bilhão para PagSeguro, próxima da expectativa de analistas (R$ 1,50 bilhão). Gestores veem potencial de receita líquida de R$ 812 milhões para Stone, ante R$ 849 entre analistas.

Para a Cielo em si, a perspectiva entre os gestores é de R$ 2,77 bilhões para 2019, 3% abaixo do que imaginam os analistas (R$ 2,85 bilhões). Interessante notar que os números são superiores à estimativa oficial da própria Cielo, entre R$ 2,3 e R$ 2,6 bilhões.

Em 2019, a Cielo apresenta uma das altas mais expressivas do Ibovespa. Entre a virada do ano e o pregão desta terça-feira (12), a alta foi de 24,75%

No mesmo período, a PagSeguro teve valorização de 19,29% na bolsa de Nova Iorque. Já a recém-listada Stone subiu 12,74% em Nasdaq.

 

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