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Cielo apanha de competidores, mas pagará dividendos entre 70% e 100% dos resultados

O baque da competição acirrada começa a machucar a líder do mercado de adquirência, mas a Cielo garante: "voltamos para o jogo"  

Cielo 05 - Maquininha de cartão
(Divulgação Cielo)

SÃO PAULO – A Cielo (CIEL3) divulgou na noite de segunda-feira (28) seus resultados referentes ao quarto trimestre de 2018, além do apanhado anual. Como esperado, os números apareceram fracos, graças à evolução da competitividade do setor de adquirência no país.

Apesar da expectativa baixa, alguns números decepcionaram. As despesas operacionais, por exemplo, vieram em R$ 511 milhões, 20% acima da média prevista pelo mercado de conforme calculado pelo Morgan Stanley.

Também abaixo da expectativa do mercado está o lucro líquido no trimestre. Esse indicador ficou em R$ 724 milhões, queda de 30,6% na comparação com o mesmo trimestre de 2017 e 10,1% abaixo das estimativas do mercado.

Apesar dos números fracos, a empresa garantiu em sua teleconferência de resultados que manterá a política de distribuição de dividendos a acionistas entre 70% e 100% do resultado. "A empresa está super bem capitalizada", disse Para Paulo Caffarelli, CEO recém-empossado no fim do ano passado, ao garantir que manterá a boa relação com investidores, mesmo em momentos adversos. 

Blindagem

Líder no mercado de maquininhas, a Cielo passa por um momento de mudança de cenário. Se antes era praticamente impune, agora precisa se defender de players em ascensão, como Pagseguro, Stone e Getnet. Segundo Caffarelli, a prioridade agora é manter market share, em detrimento de margem de lucro. “Voltamos para o jogo”, disse ele.

Para fazer isso, além de baixar os preços, a empresa vem investindo pesado em marketing, com novas propagandas, além de reforçar o time de vendas e contratar uma consultoria especializada em eficiência operacional. Para atacar o mercado de PMEs, maior trunfo das concorrentes, a Cielo contratou 500 terceirizados focados apenas nestes clientes.

Caffarelli também aposta em capilaridade para tirar vantagem da aguardada recuperação da economia brasileira. “Nosso produto é commodity, ganha quem colocar mais valor agregado”, disse o CEO. “Na hora que você vai vender uma máquina Cielo, existe todo um conhecimento”.

Analistas destacam que a estratégia dá sinais preliminares de sucesso. A base de terminais distribuídos pela empresa começa, enfim, a crescer, lembrou o Brasil Plural em relatório.

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Enquanto o número de maquininhas alugadas aumentou timidamente pela primeira vez em 3 anos (de 1.550 para 1.552), “o progresso na venda de POS foi talvez o único destaque realmente positivo do trimestre”, disse o banco. O número de terminais vendidos ativos ficou em 269 mil, ante 109 mil no trimestre anterior (aumento de 147%).

A empresa anunciou estimar lucro líquido consolidado entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,6 bilhões, o que representaria queda de quase 30% frente o resultado de 2018 (lucro de R$ 3,3 bilhões) em um ano considerado de "ajuste" e "reformulação da empresa". Os próximos meses seguirão com investimento forte em marketing e, “acima de tudo, em relacionamento com o cliente”, disse o CEO.

Outro aspecto considerado positivo pelo executivo são mudanças na regulamentação pelo Banco Central do mercado de pagamentos, que entram em vigor no dia 31 deste mês. Embora tenha sido criada a pedido de credenciadoras menores, Caffarelli acredita que a Cielo (por ser conhecida) pode se beneficiar da regra que flexibiliza a antecipação de recebíveis, permitindo que os comerciantes escolham o banco que realizará esse crédito. 

Competição continua

Mas, enquanto a Cielo melhora seu escudo, os competidores investem nas armas. De modo geral, os analistas que cobrem o setor esperam que os próximos meses sigam castigando a líder do mercado de meios de pagamentos.

Alexandre Spada, do Itaú BBA, tem recomendação de compra para a empresa, mas ainda assim diz esperar que “o momento de ganhos da empresa siga muito fraco, impedindo que os múltiplos cresçam muito acima de seus níveis atuais após performance sólida no início do ano”, conforme escreveu em relatório.

Vale lembrar que a Cielo, após se consolidar como a maior queda da bolsa brasileira em 2018, bateu alta de 20% nos primeiros dias de 2019. No pregão desta terça-feira (29), após o resultado, a ação da empresa chegou a cair 5,19%, mas amenizou as perdas e fechou em ala de 4,87%. No acumulado do ano, a alta é de 28,46%.

Para Caffarelli, os efeitos dos investimentos em marketing e preços só devem começar a reverter a tendência de perda de market share nos próximos trimestres. "O que a gente já viu é uma desaceleração dessa perda de base de clientes", diz. 

 

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