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Queda de 6% da ação e corte de projeções: Cielo sente mais uma vez o baque na disputa das "maquininhas"

Volume e as despesas gerais e administrativas foram o destaque positivo do balanço, mas a preocupação segue com a perda de receita e pontos de venda, e analistas cortam projeções 

Cielo 05 - Maquininha de cartão
(Divulgação Cielo)

SÃO PAULO - Até pouco tempo atrás, a Cielo (CIEL3) era vista como uma das empresas mais resilientes do mercado, sendo uma das preferidas dos analistas de mercado que acompanham o setor financeiro.

Mas não mais: com uma queda de cerca de 22% de sua ação apenas nesse ano (após um 2017 bastante desanimador), a empresa credenciadora de ações sofre com o aumento da concorrência no setor com a PagSeguro, do banco Safra, entre outras companhias que buscam o seu espaço no mercado de "maquininhas". Divulgado na quarta-feira à noite, o balanço do primeiro trimestre de 2018 mostrou que a Cielo foi mais uma vez impactada pelo novo cenário para a empresa, fazendo com que as suas ações caiam mais de 6% nesta sessão. 

A Cielo fechou os primeiros três meses do ano com um lucro líquido ajustado de R$ 932 milhões (6% abaixo do consenso), uma leve queda de 7% em relação aos R$ 1,001 bilhão de um ano antes. Descontando efeitos extraordinários no valor de R$ 75,1 milhões, o lucro da companhia ficaria em R$ 1,007 bilhão. O Ebitda(lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) foi de R$ 1,242 bilhão com margem de 44,6%, representando, respectivamente, uma queda de 6% e 2,6 pontos percentuais na comparação com o mesmo período de 2017.

Conforme destacou o BTG Pactual, o volume e as despesas gerais e administrativas foram o destaque positivo do balanço, mas a preocupação segue com a perda de receita, principalmente quando veem a base de POS (pontos de venda) encolhendo. O número de terminais POS também decepcionou, sendo o nono declínio sequencial, com baixa de 5% na base trimestral. 

"A combinação de resultado do primeiro trimestre pior que esperado e os inúmeros desafios que a companhia está enfrentando em termos de competição, além de uma indústria de meios de pagamento em constante transformação traz risco de queda para os nossos números", avaliam os analistas do banco.

A receita operacional líquida foi R$ 2,784 bilhões, 0,6% menor na base de comparação anual e 2% menor do que a projeção conservadora dos analistas do Itaú BBA. "A queda é, basicamente, explicada pelo aumento dos impostos sobre a receita decorrente da mudança do ISS e da contração registrada em nossa receita de aluguel, reflexo da queda vista em nosso parque de terminais, bem como pelo efeito de mix de clientes e fraca recuperação do mix de produtos", destacou a empresa em seu release de resultados. 

Também no relatório de balanço, a Cielo atribui em boa parte ao quadro macroeconômico o cenário de dificuldades da empresa, mas destaca otimismo com o futuro. "À medida que o cenário macro se consolide, confirmando uma visão mais favorável para o futuro, esperamos que nossa base de clientes, bem como o número de terminais instalados, retome trajetória positiva em algum momento mais adiante, revertendo a tendência que tanto nos impactou em 2017 e que ainda se faz sentir nesse início de ano", apontou a empresa. 

Contudo, os analistas de mercado não estão otimistas. O Credit Suisse reduziu a projeção de lucro de 2018 em 7,4% e em 9,6% para 2019,  ficando significativamente abaixo do consenso. "Ficamos mais negativos com a evolução da base de POS e a evolução da queda dos spreads de pré-pagamento", apontam.

Eles ainda ressaltam que, além da queda de 5,4% no lucro desse ano, a recuperação em 2019 deverá ser gradual (alta de 0,6% na base anual), já que a receita da Cateno (joint venture da Cielo com o BB) com pré-pagamento deve cair, compensando maior crescimento de volume e menor pressão de MDR (Merchant Discount Rate) - taxa cobrada dos estabelecimentos comerciais por cada operação realizada.

Desta forma, o banco suíço segue com visão cautelosa com o papel, revisando o preço-alvo de R$ 24 para R$ 20 por ação, com recomendação neutra. Apesar da visão mais cautelosa para o papel, os analistas destacam a forte geração de caixa e o valuation razoável de 13,5 vezes o preço sobre lucro devem limitar a baixa performance. Mesma recomendação tem o BofA, com preço-alvo de R$ 26, apontando a forte queda recente dos papéis, já refletindo as mudanças estruturais e a elevada competição. 

Movimentos da Cielo 

Em meio aos sinais da concorrência, a Cielo também se movimenta para reforçar a sua força de distribuição. No final de abril, a empresa anunciou que passaria a vender (ao invés de só alugar) as maquininhas de processamento de cartão, seguindo as concorrentes no setor, o que levou a uma recuperação dos papéis nos últimos pregões do mês passado. 

Porém, o baque veio após o balanço do primeiro trimestre, que levou para baixo as perspectivas para a companhia. Agora, o mercado fica de olho em nos próximos passos da empresa - observando com lupa se as estratégias da Cielo na disputa cada vez mais acirrada com as novas entrantes vão dar mesmo resultado. 

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