Trabalho: negros recebem menos que trabalhadores de outras raças, diz Seade

Rendimento médio de negros, estimado em R$ 5,81, representa 60,4% do rendimento de não negros, que é de R$ 9,62

SÃO PAULO – Levantamento da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) divulgado nesta quinta-feira (17) revela que os trabalhadores negros recebem menos que os de outras raças. Segundo a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) especial “Os Negros no Mercado de Trabalho da RMSP – Região Metropolitana de São Paulo”, que avaliou o mercado de 2010, o rendimento médio por hora de negros, estimado em R$ 5,81, representa 60,4% do rendimento dos não negros, que é de R$ 9,62.

E, ao que parece, a maioria das desigualdades costuma se concentrar em setores onde a proporção de outras raças costuma ser superior à de negros, assim como os rendimentos médios das categorias.

“São exemplos do fato os segmentos da indústria, serviços e, em menor medida, o comércio, em que os negros recebem, respectivamente, 58,9%, 59% e 66,4% dos rendimentos dos não negros”, informa o estudo.

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Para se ter uma ideia, na construção civil, por exemplo, os rendimentos dos negros chegam a 70,7% dos não negros e, nos serviços domésticos, a proporção é ainda maior, de 99,3%.

Distribuição
Já na distribuição, o setor de serviços foi o maior responsável pela inserção de negros no mercado de trabalho da RMSP no último ano. O segmento, responsável por mais da metade dos postos de trabalho existentes da Grande São Paulo (51,7%) abrigava, no período, 47% do total de ocupados negros e 54% de outras raças.

O mesmo se deu na indústria, segunda maior detentora de mão de obra negra do País, que também apresentou uma leve diferença entre negros (17,8%) e não negros (18,7%).

A maior diferença, no entanto, pode ser observada nos segmentos de serviços domésticos e da construção civil – únicos onde a mão de obra negra realmente supera o trabalho, em termos de volume, exercido por outras raças. “Nos serviços domésticos a proporção é de 10,8% de negros para 5,7% de não negros. Já na construção civil, o percentual é de 8,8% e 5%, respectivamente”, diz o estudo.

Nestes últimos, afirma o Seade, predominam os postos de trabalho que exigem menos qualificação profissional, mas pagam menos e têm relações de trabalho mais precárias.

Contratação formal
E, apesar de não apresentarem grandes diferenças nas ocupações avaliadas, quando o assunto é a contratação formal, negros e não negros apenas se diferenciam, de fato, no setor público. Neste segmento, a proporção em termos de contratação é desigual. Enquanto os negros representam 6,2% da mão de obra contratada, as demais raças representam 8,4%.

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“A explicação para essa diferença possivelmente tem origem no fato de mais da metade dos assalariados públicos possuir grau de escolaridade superior e ingressar nos cargos públicos por meio de concursos”, explica o estudo.