Setor de eventos sofre com falta de mão-de-obra especializada

Um dos setores que mais cresce e emprega no País, o de eventos, não encontra coordenadores e produtores

SÃO PAULO – A cada ano, são realizados 319.488 eventos. O setor emprega diretamente 175.968 profissionais, enquanto os empregos indiretos somam 551.200. As informações são da pesquisa FBC&VB (Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux)/ Sebrae/ CTI.

O mercado de eventos é um dos que mais cresce no País, porém se ressente da falta de mão-de-obra especializada, de acordo com o consultor de treinamento e negócios para a área de eventos, Paulo Bruin. “Não é à toa que as empresas organizadoras estão deixando a desejar. Calculo que 95% delas sejam micro e pequenas. Os donos detêm o conhecimento e centralizam ações e decisões.”

Ele explica que os profissionais mais em falta são os coordenadores e os produtores, que planejam, organizam, realizam o evento e fazem o trabalho pós-evento. “O cronograma de atividades, a previsão orçamentária, a expectativa de receitas e o cálculo de gastos, tudo isso é da alçada deles.”

Quem é esse profissional

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O conhecimento do profissional de eventos pode ser encontrado nas grades curriculares de vários cursos. Aprende-se um pouco sobre o assunto em cursos como publicidade, jornalismo, turismo, hotelaria, marketing, relações públicas e gestão de empresas. Os únicos cursos focados em eventos são seqüenciais, que formam tecnólogos. “No entanto, esses cursos não estão ajudando”, afirma Bruin.

O motivo é que o coordenador ou produtor precisa dar suporte logístico ao evento, pensar no transporte de maneira a facilitar a vida dos participantes, ter conhecimento de legislação, entender de marcas e patentes – os eventos devem se registrados – ter um olhar crítico sobre sites, conhecer os procedimentos de emergência, entre outros requisitos.

Solução

Na opinião do consultor, as alternativas são revisar os currículos dos cursos seqüenciais, criar um curso de graduação na área de eventos e implementar regras na escolha dos professores. “Há pessoas dando aula sem nunca terem ido a um evento. Já ter organizado um evento é essencial”, adverte.