Seade/Dieese: salários no setor privado paulista sobem em março

Alta tanto sobre fevereiro (0,6%) como na comparação a março de 2004 (1,5%) ocorreu mesmo com recuos na Indústria e Comércio

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SÃO PAULO – O setor privado fechou o mês de março com alta real de 0,6% no salário médio de seus trabalhadores na comparação a fevereiro. Se comparado ao mesmo período do ano passado, o salário médio do trabalhador paulista aumentou em 1,5%. Na média, no terceiro mês do ano a renda média atingiu R$ 1.035.

Os dados são da Fundação Seade e Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), e fazem parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) na Região Metropolitana de São Paulo, divulgada nesta terça-feira (24).

Convém destacar que os salários se referem ao mês de março, mas foram pagos em abril.

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Ainda de acordo com a pesquisa, a alta em março, frente a fevereiro, foi impulsionada pelos setores de Comércio, cujos rendimentos pagos cresceram 3,2%; e Serviços, com alta de 2,6% na mesma base de comparação. Os resultados positivos foram suficientes para compensar a retração verificada na Indústria (2,0%).

No último ano, a alta de salário mais significativa partiu da Indústria, que registrou aumento de 4,0% na análise anual, apontando uma renda média em março último de R$ 1.186, a mais elevada entre todas as categorias. Os comerciantes, por sua vez, não têm tanto o que comemorar, já que recebem os menores salários (R$ 823) da pesquisa e amargam perdas de 3,8% em relação a março de 2004.

Por outro lado, os prestadores de serviços não tiveram do que reclamar, pois além de observarem alta no mês, também tiveram ganhos de salário na análise anual (3,0%), recebendo salários de R$ 1.043, em média.

Na média dos três setores, o rendimento dos trabalhadores sem carteira assinada permaneceu estável (-0,2%) no último ano, passando a valer R$ 726,00. Já na comparação com fevereiro, subiu 4,5%. Os trabalhadores formais, com carteira assinada, viram seu rendimento estabilizar no mês (-0,2%) e subir 1,3% nos últimos 12 meses, atingindo R$ 1.132,00 em março último.

Finalmente, os autônomos que, em março, possuiam renda média de R$ 721, não tiveram incremento salarial na passagem de fevereiro para março, mas registraram alta de 3,3% na renda no último ano.

Mulheres recebem cada vez menos

Quem pensa que o Brasil é um país cuja igualdade de direitos entre homens e mulheres é respeitada, talvez deva mudar de opinião. É que, segundo a pesquisa, enquanto a média salarial do homem foi de R$ 1.209,00, a das mulheres atingiu apenas R$ 787,00, para as mesmas funções.

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E não há perspectiva de melhora imediata. Em fevereiro, as mulheres recebiam cerca de 66,3% do valor do salário dos homens. Já em março esta porcentagem se reduziu para 65,1%.

Quando comparados a março de 2004, os números referentes aos salários são ainda mais estarrecedores. O salário médio masculino subiu 1,7%, enquanto o feminino caiu 3,0%. Na comparação mensal as variações são menos intensas: 0,6% e -1,2%, respectivamente.

A distribuição de renda continua crítica. De acordo com o estudo, o valor máximo recebido pelos 10% dos ocupados mais pobres (R$ 202) apresentou redução de 0,8%, enquanto o valor mínimo obtido pelos 10% mais ricos (R$ 2.022) se manteve estável. Se comparado a março do ano passado, ambos os valores foram reduzidos, em 6,5% e 6,6%, respectivamente.