Risco da crise: cai a proporção de latinos empregados nos EUA

Entre imigrantes, 71,3% estavam no mercado de trabalho no terceiro trimestre deste ano, contra 72,4% um ano antes

SÃO PAULO – Estudo realizado pelo instituto de pesquisas norte-americano Pew Hispanic Center revelou que a participação dos imigrantes latinos na força de trabalho dos Estados Unidos caiu, por conta da recente recessão causada pela crise financeira global. Neste ano, em que os empregos se tornaram mais escassos para todos, a proporção de imigrantes vindos da América Latina em idade ativa participando do mercado de trabalho sofreu queda, principalmente no terceiro trimestre.

Os dados mostram que, entre os imigrantes latinos em território norte-americano, 71,3% estavam no mercado de trabalho no fechamento do terceiro trimestre deste ano, contra 72,4% um ano antes. Esse decréscimo ocorre após um período de crescimento dos latinos na força de trabalho dos EUA, que começou em 2003, quando a economia do país iniciou sua recuperação depois da recessão de 2001, causada por ataques terroristas.

Queda na atividade

A queda na atividade no mercado de trabalho foi duas vezes maior para os imigrantes do México e os imigrantes que chegaram nos EUA desde 2000. Entre os não-hispânicos, a participação na força de trabalho não mudou durante esse período – eles eram 66,2% no final do terceiro trimestre deste ano, ante 66% um ano antes.

De acordo com o estudo, o número absoluto de imigrantes na força de trabalho aumentou levemente: cerca de 150 mil entre o terceiro trimestre de 2007 e de 2008. Mas esse avanço é muito menor do que foi no ano anterior e ainda é inferior ao avanço dos latinos em idade ativa em território norte-americano. Daí a queda da proporção de latinos no mercado de trabalho.

O emprego atrai muitos hispânicos para os Estados Unidos, onde é possível trabalhar e ganhar em dólares, moeda valorizada frente àquela que é usada no país de origem dessas pessoas.

Volta para a casa

A pesquisa não tem como detectar se os latinos que saíram do mercado de trabalho retornaram ao seu país de origem.

Na empresa de recrutamento Robert Half, é possível notar um movimento diferenciado nos últimos tempos, por conta da crise, que está afetando, principalmente, a economia dos países desenvolvidos: profissionais brasileiros que estavam no exterior estão tentando voltar à terra natal. Mais do que isso: estrangeiros também estão apostando no mercado de trabalho verde-amarelo.

“Pelo volume de currículos que estamos recebendo, é possível chegar à conclusão de que os brasileiros estão querendo voltar ao País”, explica o diretor-geral da Robert Half, Ricardo Bevilacqua.

Brasil com melhores oportunidades

Executivos de todo o mundo consideram, predominantemente, as economias em desenvolvimento mais favoráveis e com mais oportunidades para se trabalhar, em detrimento das desenvolvidas, como a dos Estados Unidos, da Europa ou do Japão, revelou levantamento do Instituto Korn/Ferry, que, desta vez, focou nas percepções sobre oportunidades em carreira internacional dos atuais líderes de negócios.

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Entre os entrevistados, 64% apontam os países do BRIC (sigla para o Brasil, a Rússia, a Índia e a China) como os que possuem as melhores oportunidades de crescimento profissional. No caso dos EUA, esse percentual é de 22%. Apenas 9% escolheram economias como a da Europa Ocidental e a do Japão.