Reivindicando direitos: o que analisar antes de entrar na Justiça contra uma empresa?

Para advogado, primeiro é preciso analisar a viabilidade jurídica da questão e, depois, os impactos para a carreira

SÃO PAULO – Imagine uma empresa que não paga direito o seu salário, justo quando seu orçamento está apertado. Um chefe que desmerece o seu trabalho na frente de colegas. Ou ainda uma companhia que nunca pagou seu vale-refeição, apesar de estar no contrato.

Diante de situações como esta, a primeira coisa que você pensa é em reivindicar seus direitos na Justiça? Pois saiba que, se esta é a melhor opção para o seu bolso, pode não ser a melhor para a sua carreira.

Antes de entrar na Justiça contra uma empresa, alguns pontos devem ser considerados. Eles são interessantes para que você realmente tenha seu direito respeitado, bem como para que não prejudique sua vida profissional.

Passo-a-passo

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De acordo com o advogado trabalhista do escritório Leite, Tosto e Barros Advogados, Marcus Vinícius Mingrone, a primeira coisa a fazer, ao se sentir lesado, é unir todos os documentos que contam a história do profissional na empresa. “Contrato de trabalho, holerites, termo de rescisão, carteira de trabalho, aviso prévio, dentre outros”.

Depois disso, é preciso procurar um bom advogado e que peça um preço justo pelo trabalho. “O advogado dirá se vale a pena ou não entrar com a ação. O advogado tem de fazer essa análise”. Isso porque, de acordo com Mingrone, muitas vezes as pessoas fantasiam em relação aos direitos trabalhistas, de forma que é preciso verificar se o direito lhe é devido, bem como a viabilidade jurídica da questão.

Se o funcionário tiver razão, ele deve tentar uma negociação amigável com a empresa, que é sempre o melhor caminho, por não desgastar a relação nem “fechar portas”. Caso não exista nenhuma saída, então entrar na Justiça deve ser considerada uma opção.

Carreira

Após esta análise, começa outra ainda mais séria: quais serão as consequências, para a sua carreira, de entrar com uma ação contra alguma empresa em que trabalhou? “É necessário analisar a repercussão no mercado. Para a grande massa, não existe grande repercussão. Para autos níveis, essa análise tem de ser feita”, explicou.

Conforme explicou Mingrone, um primeiro efeito de processar uma empresa está relacionado aos futuros empregos. “Oficialmente, não tem como checar isso [se o empregado já processou outra empresa], mas existem meios. Não existe uma certidão que mostra isso, mas as empresas vão atrás, principalmente em cargos mais elevados”.

Certamente o futuro empregador poderá entrar em contato com a empresa antiga para pedir referências e, neste momento, fica sabendo que o profissional recorreu à Justiça. “O empresário pensa: ele já entrou com ação no antigo emprego, então pode entrar comigo”.

Outro dano

Outra consequência negativa da atitude é fechar portas no antigo emprego. Mingrone afirmou que depois de entrar na Justiça, as chances de voltar para a empresa diminuem bastante. “A gente conhece casos de volta para a empresa, mas é muito raro. Às vezes, perde isso para discutir algo que não vale muito a pena”, ponderou o advogado.