AO VIVO Rodrigo Furtado, da XP Asset, fala sobre uma oportunidade no mercado de ações

Rodrigo Furtado, da XP Asset, fala sobre uma oportunidade no mercado de ações

Recebeu uma proposta de emprego? Analise, sem esperar uma contraproposta!

Para especialistas ouvidos, esperar que a empresa atual "cubra" a oferta da concorrente pode gerar frustrações

SÃO PAULO – Que o mercado de trabalho está competitivo muita gente sabe, e até “sente na pele”. Contudo, em muitas áreas, não são só vagas que estão escassas, mas também talentos. Não raro, empresas “brigam” pelos melhores profissionais do mercado. E receber propostas de empresas concorrentes está se tornando comum. Nessa situação, o que fazer? Esperar uma contraproposta da empresa atual?

Na dúvida entre trocar ou não de emprego, a esperança de ver a empresa atual “cobrir” a proposta da outra aflora em muitos profissionais. Afinal, ganhar mais e se manter no mesmo cargo parece vantajoso. Contudo, esperar a contraproposta pode ser um risco. “O profissional não deve esperar essa situação, porque ela pode não vir, e ele ficará frustrado”, lembra a consultora em Recursos Humanos do Grupo Soma Desenvolvimento Corporativo Jane Souza.

Para a gerente de Marketing da Monster Brasil, Andreza Santana, porém, a negociação é parte dos processos de contratação. No entanto, isso não significa que a cada proposta recebida o profissional deve falar com o líder e esperar um aumento salarial atrás do outro. “É importante que ele esteja convicto de sua decisão antes de conversar com seus gestores e colegas”, afirma Andreza.

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Para Jane, analisar a proposta da outra empresa é parte do processo. Mas isso deve ser feito somente pelo profissional. O líder só entra no cenário na hora que o profissional vai informar o seu desligamento. “Esperar uma contraproposta é chegar com uma expectativa que, se não suprida, pode gerar frustrações”, acrescenta Jane.

Analisando a proposta
Antes de correr atrás do gestor para ver se ele quer pagar mais, o profissional deve de fato ver essa proposta de trabalho com outros olhos e tentar desviar um pouco a atenção da questão salarial. Uma remuneração compatível com o mercado e com o trabalho exercido é um fator forte de estimulação. Porém, não é o único.

Chances de ascensão dentro da empresa, um bom ambiente de trabalho e um plano de carreira sólido também devem ser analisados. “Ele deve analisar e comparar sua situação atual com a proposta”, afirma Andreza. “O profissional deve analisar a proposta de plano de carreira e se a empresa passa por um processo de expansão”, reforça.

Para a gerente, analisar perdas e ganhos é melhor que apenas ver cifras. “Observar sua própria empregabilidade no mercado é fundamental para posicionar-se no emprego atual ou nas empresas onde deseja trabalhar futuramente”, comenta Andreza. Tudo isso faz parte do mundo corporativo. “O que esse profissional quer e o que ele está buscando na carreira?”, para Jane, essa é uma pergunta que deve ser feita a quem está nessa situação.

A empresa quer “cobrir”
Se, com tudo posto, o profissional decide pelo desligamento, então é hora da conversa com o líder. Como reforçaram as especialistas, embora seja normal a espera da contraproposta, o profissional não deve ter expectativas. Por isso, o recomendável é apenas comunicar o desligamento, sem maiores detalhes, e saiba que, quanto antes, melhor. “Manter o sigilo e expor a situação no momento certo, para que a transição não prejudique projetos em andamento e trabalhos em equipe, é de bom tom”, lembra Andreza.

Mas, se na hora da conversa, o gestor perguntar sobre a possibilidade de o profissional ficar diante de um salário maior que o oferecido, o que fazer? “Acredito que ele nem deve aceitar essa contraproposta”, enfatiza Jane. Para ela, essa situação pode dar uma sensação de quebra. “Dá a impressão que ele ficou pelo dinheiro. Fica uma sensação de ruptura”, diz Jane. Além disso, a imagem desse profissional que aceitou a oferta pode ficar prejudicada diante do líder e dos colegas.

A contraproposta, por que ela acontece?
Para as especialistas consultadas, é claro o fato de que as empresas devem investir em retenção de talentos. “Ofertas de empresas concorrentes serão cada vez mais frequentes”, lembra Andreza. “Com isso, as empresas deverão preocupar-se de forma consistente com políticas de retenção de talentos. Candidatos e colaboradores deverão ser tratados como clientes por suas empresas”, reforça.

A falta de políticas dessa natureza, para Jane, é o fator que leva tantos profissionais a esperarem por uma contraproposta. “Uma empresa que seja saudável tem de trabalhar com as ferramentas disponíveis para que, mesmo tendo ofertas, o funcionário não precise sair das empresas”, diz. “Se você tem um RH estratégico, você faz com que a perda seja menor”, analisa.

Para ela, empresas que têm na contraproposta uma ferramenta de retenção não tem uma política de manutenção dos profissionais forte. “A empresa tem de se preocupar com isso”, completa.