Realidade: cai participação feminina no mercado de trabalho, mostra pesquisa

Dados do Seade revelam que proporção de ocupadas e desempregadas passou de 55,4% em 2006 para 55,1% em 2007

SÃO PAULO – Entre as mulheres da Região Metropolitana de São Paulo, a participação no mercado de trabalho caiu para 55,1% no ano passado, comparada aos 55,4% de 2006, segundo revelou a pesquisa Mulher e Trabalho, do Seade (Fundação Sistema Estadual de Análises de Dados) e o Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo.

Os dados, divulgados nesta quarta-feira (5), ainda mostraram que, dentre os homens, a participação se manteve praticamente estável: passou de 71,3% em 2006 para 71,4% um ano depois. A participação no mercado mede a proporção de pessoas ocupadas e desempregadas, com idade acima de dez anos.

A queda na taxa de participação feminina foi destaque entre adolescentes de 10 a 17 anos (7,4%), aquelas com mais de 60 anos (2,3%), as filhas (3,1%), as negras (1,6%) e as menos escolarizadas (3,2%).

Desemprego

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A taxa de desemprego das mulheres diminuiu de 18,6% há dois anos para 17,8% em 2007. A masculina, por sua vez, chegou a 12,3% no ano passado.

De acordo com a pesquisa, a redução da taxa de desemprego entre as mulheres se deve ao aumento do nível ocupacional delas. Entre os homens, o motivo da queda é devido ao crescimento da ocupação, uma vez que a força de trabalho masculina praticamente não se alterou.

O tempo médio sem trabalho das mulheres com experiência anterior caiu um mês e chegou a 21 meses em 2007. Entre os homens, a média foi de 13 meses. O tempo é maior para as trabalhadoras, segundo a pesquisa, porque alguns fatores, não citados, desestimulam a busca por emprego.

Ocupação

O nível de ocupação feminino aumentou 1,5% no ano passado, ritmo menor do que a aceleração de 2006 (2,5%). O crescimento concentrou-se no Comércio (7,1%) e nos Serviços (2,1%), movimento contrário ao identificado na Indústria (-3,5%) e em Serviços Domésticos (-0,4%).

Entre os homens, o nível ocupacional cresceu 3%, principalmente no Comércio (4,4%), Construção Civil (4,3%), Serviços (3,1%) e Indústria (1,2%).

Ainda em relação à ocupação, houve crescimento das mulheres em trabalho por conta própria, de 3%, e como empregadoras (1,9%).

Rendimento

O rendimento médio anual das mulheres ocupadas na RMSP ficou em R$ 905 no ano passado, ante R$ 1.340 dos homens. Eles, porém, têm uma jornada maior (45 horas, em média) do que as companheiras do sexo feminino (39 horas, em média). Por isso, o rendimento médio por hora se torna a melhor comparação.

Ente as mulheres, ele ficou em R$ 5,42, enquanto fechou 2007 a R$ 6,96 para os homens. Assim, o rendimento médio das mulheres passou a corresponder 77,9% daquele recebido pelos homens, elação praticamente igual à registrada no ano anterior (77,7%).

Serviços foi o setor que pagou mais às mulheres, com R$ 6,94 e, para os homens, foi o Comércio, com R$ 7,72.