Raio X: pesquisa revela o perfil do mercado de trabalho até 2030

Segundo dados da FGV Projetos e Ernst & Young, brasileiros terão grau de escolaridade maior e massa salarial crescerá

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – O mercado de trabalho brasileiro em 2030 terá profissionais com maior grau de escolaridade e ganhando melhor. O cenário positivo foi desenhado pela pesquisa “Brasil sustentável: crescimento econômico e potencial de consumo”, realizada pela FGV Projetos e pela Ernst & Young.

A expectativa está baseada em uma taxa média de crescimento da economia de 4% ao ano entre 2007 e 2030. Para ser mais preciso, haveria um avanço de 4,3% nos próximos dez anos e de 3,8% a partir de 2017. O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro passaria de US$ 963 bilhões no ano passado para US$ 2,4 trilhões em 2030, uma alta de 150%.

Segundo os dados, haverá expansão na força de trabalho. Por ano, este avanço será de 0,95%, índice equivalente ao padrão mundial e superior ao de países desenvolvidos, de 0,1% ao ano.

A escolaridade

Aprenda a investir na bolsa

Em relação à escolaridade, os brasileiros terão o que comemorar. Se, em 2007, a população tinha 7,8 anos em média de instrução formal, em 2030, este número passará para 11,3 anos em média. Trata-se de um período equivalente ao registrado hoje na Coréia do Sul e inferior ao norte-americano, de 12,5 anos.

“Alcançamos a universalização do ensino. Temos vagas para todas as crianças em idade de ensino fundamental e este desenvolvimento foi rápido. A grande questão é a qualidade do ensino, muito abaixo da média mundial. Dentre 100 países analisados no estudo, o Brasil está entre os 20 últimos em qualidade de educação”, afirmou o professor da FGV Projetos, Fernando Garcia.

É preciso destacar, ainda, que os níveis educacionais tendem a se convergir mundialmente, mas, mesmo assim, a evolução brasileira denota grande progresso.

Os salários

De acordo com o estudo, a expectativa é de um crescimento de 3,5% ao ano na massa salarial, até 2030. Com isso, o Brasil, que hoje ocupa a décima primeira posição, passará a ocupar a oitava dentre as economias que mais pagam salários, com um volume de massa salarial de US$ 880,3 bilhões.

Um mercado melhor

Apesar do cenário bastante positivo, o estudo indica algumas premissas para uma evolução melhor do mercado de trabalho no País:

  • Trabalho: a desoneração da folha de pagamento das empresas precisa de atenção especial, uma vez que reduz o custo trabalhista, com reflexo sobre a produtividade, e diminui a informalidade no mercado de trabalho;
  • Previdência: o Brasil gasta aproximadamente 13% do PIB em aposentadorias e pensões, carga equivalente à de países como a França e a Áustria. O crescimento dos gastos previdenciários nos próximos anos restringirá a formação de poupança e, portanto, o investimento, que gera mais empregos;

  • Educação: alcançada a universalização do Ensino Fundamental, o País tem condições de avançar de forma gradativa na busca do atendimento de metas mais ousadas para o Ensino Médio e para a qualidade da educação em geral. Isso elevaria o nível de eficiência da economia brasileira e ampliaria a mobilidade social.

PUBLICIDADE