Qual o tempo máximo para ficar em um emprego que não satisfaz?

Desenvolvemos muitas competências em situações adversas, como flexibilidade e capacidade de adaptação

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SÃO PAULO – Quanto tempo devo ficar em uma empresa que não aprecio? Certamente, essa pergunta passa pela cabeça de milhares de profissionais que hoje estão desmotivados no trabalho, pelo menos uma vez por dia. Infelizmente, não existe uma receita de bolo para a resposta. “Depende das metas de cada profissional”, explica o coach e diretor da UP Treinamentos e Consultoria, Carlos Cruz.

Ele dá dois exemplos, o da geração Y e o dos baby boomers. “A geração Y, formada por aqueles que nasceram a partir de 1978, tem um perfil mais otimista e arrojado, por isso, os jovens tendem a ficar menos tempo nas empresas. Eles desejam crescimento rápido. Por sua vez, os baby boomers, que são os profissionais mais velhos, também chamados de geração pós-guerra, costumam ficar bastante tempo nas empresas, a ponto de serem demitidos, no lugar de se demitirem”.

Ficar ou não ficar, eis a questão

Em muitos casos, entretanto, não vale a pena ser um profissional típico da geração Y. Explica-se: ao pular de galho em galho, perde-se muito, em termos de aprendizado e vivência de experiências. “Quem muda com freqüência de emprego acaba não criando raízes. Vale a pena se perguntar: o que ainda preciso aprender e posso desenvolver que irá fazer diferença futuramente?”, recomenda Cruz.

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O profissional deve elaborar uma lista com os prós e os contras de ficar no emprego. Pergunte-se: o que irei ganhar e perder hoje, se sair da empresa? “Nem sempre fazemos o que gostamos. Para crescer, a gente faz o que é preciso”, diz ele.

Fuga dos problemas

Basicamente, a decisão sobre deixar ou não o emprego que o aborrece passa por um processo de autoconhecimento. “Às vezes, a decisão de largar o emprego é muito mais uma fuga dos problemas do que uma decisão acertada. O profissional pode não saber lidar com o chefe, com os colegas ou a organização e preferir fugir a enfrentar a situação”, garante o coach.

A questão que deve ser colocada é que existem lugares estressantes, maus chefes, maus colegas e empresas atrasadas, no que se refere ao tratamento dado aos funcionários, aos montes por aí. Então, de que adianta se demitir, porque seu chefe é injusto, se há chances concretas de que seus próximos chefes também sejam assim? De que adianta se demitir, porque seus colegas são competitivos, se a competição é uma realidade do mercado?

Cruz recomenda fazer um planejamento de carreira que deve começar com a pergunta: onde quero estar daqui a cinco anos? Com base na resposta, avalie se ganhar experiência no atual emprego não é importante para alcançar seu objetivo. “Ficar no emprego te levará para mais perto ou mais longe da meta”, explica o especialista, que finaliza lembrando que desenvolvemos muitas competências em situações adversas, tais como paciência, resiliência, flexibilidade e capacidade de adaptação.