Profissional quebra-galho: até que ponto ele é valorizado nas empresas

Fazer de tudo pode ser um problema quando o profissional deixa de lado suas atribuições; encontre um equilíbrio!

SÃO PAULO – O profissional quebra-galho é essencial nas empresas. Quando uma bomba está prestes a estourar, imediatamente ele é lembrado. Quando alguém falta no trabalho ou tira férias, novamente, ele está lá para cobrir a ausência. Uma pessoa da equipe se demitiu? Por que não passar para o quebra-galho as responsabilidades do antigo colega?

Essa disponibilidade é valorizada pela chefia, sem dúvida. Afinal, não é qualquer um que assume responsabilidades diversas das suas, algumas vezes até mesmo compromissos de outros departamentos. Esse intercâmbio leva o profissional quebra-galho a ser valorizado em todas as áreas da empresa.

Quando começa o problema

Entretanto, essa atitude pode ser um problema quando o profissional deixa de lado suas atribuições. Ele faz muito, mas o essencial, aquilo que de fato é esperado dele – e que entra na avaliação de desempenho – ele não faz direito, porque existe um fator essencial envolvido: tempo. Como ninguém pode fazer mágica, o ato de assumir muitas responsabilidades faz com que, no fim das contas, nada seja feito direito.

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“Ao fazer muitas coisas ao mesmo tempo, tendo, portanto, diversos focos, o profissional não supera suas expectativas nem mostra evolução no dia-a-dia. Isso sem falar que ele deixa de mostrar seu trabalho. Muitas vezes, as atividades do quebra-galho não são desenvolver todo um projeto, mas fazer coisas pequenas, operacionais, que acabam tomando todo o dia”, analisa a consultora da Catho, Glaucia Santos.

O ideal

Hoje as empresas valorizam cada vez mais o profissional especialista. É aquele que não faz de tudo um pouco, mas desenvolve suas próprias responsabilidades muito bem, geralmente sendo o melhor da empresa no que faz.

No entanto, para a consultora da Catho, o ideal é que o profissional encontre um meio termo. Isso significa que ele deve estar focado em suas atribuições, mas, antenado nas atividades desenvolvidas por seus colegas, ajudando quando é possível e quando sobra tempo. “O profissional especialista em demasia perde comunicação com outras áreas da empresa, e seu departamento corre o risco de não crescer”.

Como lidar com seu chefe?

Não raro, o profissional quebra-galho se perde, mas não por culpa dele. O próprio gestor não resiste à tentação de passar muitas tarefas a ele, porque já se acostumou. Cabe ao quebra-galho impor limites e fugir do estereótipo “bonzinho”.

“Dizer não é possível, muitas vezes necessário. Porém, é importante justificar por que não irá realizar a atividade que o gestor pede, sem ser arrogante e inflexível e mostrando que quer aprender. A prioridade sempre deve ser as responsabilidades de seu cargo. Não se deve colocar no meio outras atividades, a não ser que a gerência ou diretoria diga que é prioritária”, recomenda a consultora da Catho.