Profissionais colocam interesse pessoal à frente de segurança da empresa

Situação piora quando analisados os funcionários móveis, já que desta forma é mais difícil separar pessoal e profissional

SÃO PAULO – Uma pesquisa realizada pela Trend Micro nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Japão revelou que os funcionários colocam o interesse pessoal à frente da segurança da empresa, adotando práticas arriscadas no uso da tecnologia.

De acordo com os dados, 60% dos 1,6 mil entrevistados admitiram ter divulgado informações internas por meio de uma conta de e-mail, mensagens instantâneas ou aplicativos de mídias sociais.

E se você pensa que no Brasil é diferente, o diretor de Novos Negócios da Trend Micro, Hernan Armbruster, afirmou que não. “A pesquisa foi feita em outros países, mas a nossa experiência mostra que isso também acontece no Brasil”, revelou.

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Dentro e fora
A pesquisa mostrou que os funcionários remotos são mais abusados do que os colegas internos. Em todos os países, 60% deles admitiram ter enviado informações confidenciais da empresa por mensagens instantâneas, ante 44% dos funcionários que atuam internamente.

“A exposição ao risco aumenta com o usuário móvel. Fica muito difícil conciliar vida pessoal e profissional, porque o profissional abre o notebook em uma viagem para assistir a um filme, checa e-mails pessoais etc. A tendência é que arrisque mais pela natureza do trabalho”, explicou.

Intenção
De acordo com Armbruster, esses acidentes com dados da empresa não são intencionais em 90% dos casos. Mas a verdade é que, se não fazem por querer, os profissionais também não estão muito preocupados com os riscos para as empresas, mas apenas para a sua vida pessoal.

A pesquisa revelou que a violação de privacidade pessoal, o roubo de identidade ou a perda de informação pessoal são as principais preocupações dos profissionais.

Perda de informação corporativa e dano à reputação da empresa são as últimas preocupações dos usuários finais, a exemplo dos EUA, onde 36% dos profissionais disseram que a perda de informação pessoal é a principal preocupação em relação a vírus e somente 29% deram a mesma resposta quanto à perda de dados corporativos.

Como evitar?
Armbruster disse que já há casos de demissão de profissionais por conta do descuido ao usar e-mails, pen drives, redes sociais ou smartphones. “Mas, na maioria dos casos, é colocado para ele a importância de manter os dados da empresa em segurança”, disse.

Em relação ao que a empresa pode fazer para evitar a exposição de seus profissionais, ele citou políticas claras de recursos de tecnologia, com recomendações e obrigações. “Isso é básico. Se a empresa dá um e-mail, tem de no mínimo dizer como usá-lo”.

Além disso, a companhia tem de implantar ferramentas para evitar a perda de informações. Em um pen drive, a dica de Armbruster é classificar os arquivos confidenciais e permitir a cópia somente após informada uma senha.

Outra recomendação é que a área de TI (Tecnologia da Informação) afrouxe algumas regras. “Comumente usuários finais de e-mail corporativo têm um limite de tamanho, mas no e-mail pessoal ele é maior”, afirmou, citando que isso leva as pessoas a usarem mais o e-mail pessoal.