Poder aquisitivo do salário mínimo se mantém apenas na atual crise econômica

Já nas recessões de 1998/99, 1989/90 e 1982/83, o mínimo perdeu 3,1%, 33,6% e 8,2% do seu poder de compra

SÃO PAULO – Nas últimas três décadas, a economia brasileira registrou quatro importantes movimentos de desacelerações econômicas, com significativos impactos no consumo, investimento, emprego e na renda.

Porém, de acordo com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), somente no período atual, o valor real do salário mínimo (R$ 465) conseguiu guardar seu valor real superior (8%), ou seja, manteve o poder de compra do consumidor.

Segundo o estudo “Pobreza e crise econômica: o que há de novo no Brasil metropolitano”, entre os anos 1998/99, o salário mínimo perdeu 3,1% do seu poder aquisitivo na recessão de 1989/90, e 33,6%, na recessão de 1989/90, enquanto entre 1982/83 a perda no poder de compra foi de 8,2%.

Desemprego

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De acordo com a taxa de desemprego nos 12 meses seguintes à manifestação da crise de cada período de recessão, nota-se o aumento da população sem trabalho.

Na atual desaceleração, a taxa de desemprego tem aumentado, mas sem ainda seguir a mesma intensidade verificada nos outros períodos considerados.

Afinal, para os anos de 1982/83, por exemplo, constata-se que a população sem trabalho cresceu mais de 50%, enquanto para os anos de 1989/90, a taxa de desemprego foi multiplicada por mais de duas vezes. Entre 1998/99, o aumento do desemprego foi inferior ao dos períodos anteriores.

Evolução da pobreza

O estudo do Ipea ainda revelou que, nos primeiros seis meses de manifestação da atual crise no país, registra-se redução de quase 316 mil pessoas da condição de pobreza no Brasil metropolitano.

No período anterior de desaceleração (1998/99), a quantidade de pobres aumentou em quase 1,9 milhão de pessoas.

Já entre 1982/83, o número de pessoas pobres aumentou em 7,7 milhões, enquanto em 1989-90 teve acréscimo de 3,8 milhões.