Os pontos fortes e os fracos de continuar trabalhando após a aposentadoria

Profissionais com mais de 60 anos optam por continuar a trabalhar, para ajudar na renda da família e manter a auto-estima

SÃO PAULO – O organizador da Viva Mais Maturidade, Robson Hisano, explica que hoje, mesmo com a aposentadoria, muitos brasileiros que estão na terceira idade optam por continuar a trabalhar, com o intuito de completar a renda familiar. Em sua opinião, a iniciativa é válida, uma vez que agrega ao mercado toda a experiência e o know-how dos profissionais maduros.

Ainda segundo ele, essa motivação, muitas vezes, está longe de ser uma preferência. “Às vezes, é uma necessidade emocional. Muitos profissionais no trabalho sentem-se parte integrante e agregadora da economia do lar e do País, e isso levanta a auto-estima deles e previne danos psicológicos e emocionais”, analisa.

Barreiras

Entretanto, ele acredita que o mercado ainda esteja fechado e olhando com um pouco de preconceito a contratação de pessoas mais velhas, que, não raro, são desvalorizadas financeiramente. “Existe uma via de mão dupla: a necessidade de atualização destes profissionais, que já têm a prática e experiência como principal aliada; e a abertura do mercado de trabalho para a absorção dos mesmos. Atualmente, o mercado ainda não é favorável, e é preciso se preparar”, alerta Hisano.

Perspectiva

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O organizador da Viva Mais Maturidade conta que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), em 2020, o Brasil estará classificado em 6º lugar no ranking de países com maior número de habitantes com mais de 60 anos de idade, somando 30 milhões de pessoas.

Neste momento, no entanto, a maioria das empresas ainda não tem a cultura nem estão preparadas para absorver esses profissionais com mais de 60 anos ou que já estejam na maturidade. “Elas consideram, somente, custo mais baixo dessa contratação”, lamenta Hisano.

Mas essa realidade está prestes a mudar. “Justamente por conta do crescimento da população mais velha, o poder público e o setor privado estão se preparando desde já para oferecer melhor qualidade de vida para os mais velhos, que atualmente já são responsáveis pela manutenção de 25% dos lares nacionais, ou seja, 47 milhões de residências, de acordo com dados Indicator GfK.”