Número de universitários estudando no exterior cresce 53% entre 1999 e 2007

Dado da Unesco considera estudantes de todo o mundo. Na América Latina, seis em cada cem universitários viajaram em 2007

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SÃO PAULO – Desde a criação das universidades, há estudantes que viajam a outros países para fazer um curso em uma instituição estrangeira, para ampliar seus conhecimentos e horizontes cultural e intelectual. Essa prática tem crescido de forma considerável nos últimos anos, e, de acordo com um levantamento da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), o número global de estudantes internacionais cresceu 53% entre 1999 e 2007, o que significa uma média de 5,5% por ano.

No total, 2,8 milhões de estudantes estavam matriculados em instituições fora de seus países de origem, o que representa 123.400 a mais, ou 4,6%, do que o registrado em 2006. Se comparado aos dados de 1975, o aumento é ainda mais intenso, de 2,5 vezes, com uma média anual de 11,7%.

Esses dados consideram apenas os estudantes matriculados em um programa de educação de um país, sem ter a condição de residente permanente. Além da busca de mais conhecimentos, o órgão indica que as viagens desses universitários são motivadas pela busca de mais alternativas para desenvolver um programa acadêmico ou um campo específico de estudo, ou ainda devido ao fato de que, em alguns países, as universidades locais possuem recursos insuficientes.

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A taxa de mobilidade, por sua vez, ficou em 1,8% em 2007, o que significa que aproximadamente dois em cada cem universitários viajou a outro país para estudar. A taxa é praticamente a mesma de 1999, quando era de 1,9%, o que indica que, apesar do forte aumento nos números absolutos, a participação não variou de forma significativa, já que avançou no mesmo ritmo do número de matriculas nas universidades.

Quem mais viaja?

Segundo o levantamento, são os estudantes chineses os que mais viajam ao exterior. No ano passado, 421 mil se matricularam em instituições fora da China. Em seguida, aparecem a Índia, com 153,3 mil estudantes, a Coreia do Sul, com 105,3 mil, a Alemanha, com 77,5 mil, e o Japão, com 54,5 mil.

Entre os destinos preferidos, o topo do ranking continua sendo ocupado por Estados Unidos, que recebeu 595 mil estudantes, ou 21,3% do total. Em seguida, aparecem o Reino Unido (351,5 mil), França (246,6 mil), Austrália (211,5 mil), Alemanha (206,9 mil) e Japão (125,9 mil). Juntos, esses países receberam 62% dos estudantes internacionais de 2007.

Porém, na comparação com os dados de 1999, é possível constatar uma mudança. No período, um em cada quatro estudantes optavam pelos Estados Unidos como destino, já em 2007, um em cada cinco fazia a mesma opção. Com isso, a participação do país norte-americano caiu 4 pontos percentuais. Por outro lado, países como Austrália, Canadá, França, Itália, Japão, Nova Zelândia e África do Sul, registraram aumentos na participação.

América Latina

Considerando a América Latina, há uma baixa taxa de mobilidade entre seus universitários, de apenas 1%. No total, apenas 6% dos estudantes internacionais eram latino-americanos. Porém, a taxa de mobilidade apresenta comportamento distintos entre os países, com destaque para Trinidad e Tobago (30%), Ilhas Virgens (33%) e Barbados (13%). Já México (1%), Chile (0,9%), Venezuela (0,7%), Brasil (0,4%), Argentina (0,4%) e Cuba (0,2%) possuem as menores taxas.

Entre esses estudantes, o destino preferido são os países da América do Norte, que receberam 43% do total de universitários, seguido por Europa Ocidental, com 31%. Porém, entre 1999 e 2007, o número de estudantes latino-americanos que optaram pelo primeiro destino diminuiu em 11,7 p.p., enquanto o número daqueles que decidiram viajar a um país da própria região aumentou 12,2 p.p., passando de 10,7% para 22,9%. O destino mais popular na região é Cuba, com 59%, seguido por Chile, Argentina e Venezuela.

Dicas de intercâmbio

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Uma viagem de intercâmbio pode ser um grande diferencial no currículo do universitário e ajudá-lo a ingressar no mercado de trabalho. Se a sua intenção é fazer uma viagem dessas, é preciso ficar atento com algumas coisas.

O primeiro passo é definir o seu objetivo, seja um estudo intensivo ou semi-intensivo da língua, preparação para exames de profundo conhecimento ou simplesmente algo na sua área de atuação, como um curso voltado para turismo e hotelaria. O país de origem também fica a seu critério. O importante é que você escolha o lugar onde vai estudar de acordo com o seu perfil, levando em consideração o clima e as características da cidade e do país escolhido.

No que se refere às acomodações, as opções também são muitas, mas saiba que quanto maior for o conforto, maior será o dinheiro desembolsado. Ao viajar para o exterior você pode optar por se acomodar em campus, casa de família, residência estudantil ou hotel.

Nos campus, a grande vantagem é que você estará bem próximo ao centro de estudos, com acesso às instalações universitárias. Por outro lado, nas casas de família você terá a oportunidade de praticar o idioma, ter contato com a cultura local e ficar em um quarto individual, mas terá que ter jogo de cintura para respeitar certas regras de convivência. Já as acomodações em hotéis oferecem mais privacidade, comodidade e independência. Entretanto, o custo destes benefícios pode ser para lá de salgado.