Número de desempregados no Brasil metropolitano cresce 30% até maio

"Até maio, condições de emprego da mão-de-obra agravaram-se consideravelmente", diz Pochmann

SÃO PAULO – O mercado de trabalho das seis principais metrópoles brasileiras foi fortemente contaminado pela crise mundial, revela o presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcio Pochmann, em nota técnica publicada nesta quarta-feira (22).

Intitulada “Crise e trabalho nas metrópoles”, a nota afirma que, entre janeiro e maio deste ano, a quantidade de desempregados nas regiões metropolitanas do País cresceu 29,9%, o que equivale a 466 mil trabalhadores sem emprego. Para se ter uma ideia de como a crise afetou o mercado, no ano passado, nesse mesmo período, a alta havia sido de 5,4% (92 mil trabalhadores).

Pochmann explica que o comportamento do mercado de trabalho nas metrópoles brasileiras somente teve interrompida a tendência de queda do desemprego, verificada entre fevereiro e dezembro do ano passado, a partir de janeiro deste ano. “Até maio, as condições de emprego da mão-de-obra agravaram-se consideravelmente”, diz a nota.

População em idade ativa

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Entre março e maio de 2009, na comparação com igual período do ano passado, as seis principais regiões metropolitanas brasileiras incorporaram 505 mil novas pessoas no total da PIA (População em Idade Ativa).

Desse total, 250 mil pessoas assumiram a condição de inatividade, o que significa que não realizam nenhum tipo de trabalho nem procuram realizar. Outros 255 mil ingressaram no mercado dentro do PEA (População Economicamente Ativa).

A conclusão é preocupante: a expansão da PEA foi de 1,1%, ou seja, 21,4% inferior ao crescimento da PIA. Desta forma, a taxa de participação, que era de 62,2% entre março e maio de 2008, decresceu para 62,1% nos mesmos meses deste ano. Seja como for, isso evitou uma maior pressão na oferta de mão-de-obra sobre o total de postos de trabalho gerados.

Dessas 255 mil pessoas que ingressaram no grupo da População Economicamente Ativa, somente 95 mil obtiveram algum tipo de ocupação. A parte restante de trabalhadores (160 mil trabalhadores) tornou-se desempregada, o que equivale a 62,8% do total de ingressantes no mercado de trabalho.

Maioria dos desempregados é jovem

Segundo o Ipea, desses 160 mil trabalhadores desempregados, a maioria (62,6%) tem entre 24 e 39 anos. Para o caso dos 95 mil que conseguiram alguma ocupação, 128 mil novas vagas foram para quem tinha entre 40 e 55 anos de idade e 124 mil postos de trabalho acabaram sendo preenchidos por profissionais com mais de 55 anos.

O estudo conclui que a crise mostrou seus reflexos no mercado de trabalho das seis principais regiões metropolitanas no Brasil, mas o aumento do desemprego, que não se restringe a fatores sazonais, não se mostrou igual para todas as faixas etárias. Além disso, o fechamento de postos de trabalho informais e de não-assalariados se mostrou mais intenso para os segmentos de trabalhadores com até 39 anos de idade. Aparentemente, empresas que oferecem ocupações informais e não-assalariadas parecem ter sido as mais penalizadas pela crise.