Nem extrovertido demais nem muito tímido: qual postura te favorece?

Para executive coach da SBC, problema principal é que o tímido demais dificilmente será promovido

SÃO PAULO – O profissional reservado demais perde oportunidades no mercado de trabalho, porque evita situações nas quais é necessário se expor. Já o expansivo em excesso gosta de ser o centro das atenções, é impulsivo, ousado, contador de piadas. Tanto em um caso como no outro, os problemas na carreira são inevitáveis.

“A dificuldade do extrovertido diz respeito à falta de bom senso, à dificuldade em prestar atenção ao outro. Ele é muito voltado para si mesmo e, por isso, não analisa as reações das pessoas às suas atitudes”, diz a psicóloga e psicoterapeuta Clarice Barbosa.

Para a executive coach da Sociedade Brasileira de Coaching, Claudia Watanabe, o profissional muito expansivo é competitivo e agressivo no ambiente de trabalho, quer mostrar serviço e impor suas idéias e opiniões. “Para se sobressair, ele faz marketing pessoal”, explica ela. “Mas o tímido também pode se sobressair, principalmente nas atividades que exigem foco e concentração, como é o caso daquelas relacionadas à tecnologia da informação”.

Dissecando a timidez

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Nosso comportamento é modelado, principalmente, durante a infância, conforme explicação de Clarice. Quem nunca viu uma mãe elogiar o filho quando ele fica quieto, sem fazer bagunça? E a outra que acha engraçado quando ele chama a atenção de todo mundo?

Para a executive coach da SBC, o problema principal é que o tímido demais dificilmente será promovido. “O mundo corporativo não é feito só de resultados, mas também de socialização. E, para ser líder, é necessário se dar bem com o grupo, saber se comunicar”, explica.

A boa notícia é que é possível dominar a timidez, segundo a psicoterapeuta, por meio de treino. “No dia-a-dia, expresse o que sente, converse com as pessoas, esclareça questões mal-resolvidas. Veja tudo como um treinamento. Às vezes, o medo da rejeição do tímido é tanto que ele evita situações nas quais precisa se expor. Como conseqüência, pode desenvolver doenças psicossomáticas”.

Já a dica de Claudia é: “interaja mais na hora do almoço ou do café, participe mais, se interesse mais pelas pessoas, pelo ambiente e pelas metas da empresa. Tente saber mais sobre o negócio, principalmente se quiser crescer”.

Extroversão demais incomoda

Como o extrovertido pode saber que está passando dos limites? Segundo Clarice, é só observar: as pessoas o estão evitando, ele está se sentindo sozinho, não recebe mais convites? “O expansivo demais não usa a inteligência emocional a seu favor”, diz.

Segundo ela, esse tipo de profissional também tem mais dificuldade de respeitar a hierarquia, já que não teme o ridículo ou a rejeição. “Ele precisa aprender a ouvir, a não fazer brincadeiras e comentários desagradáveis, na hora errada. Não se pode chamar mais atenção do que o chefe, por exemplo”.

“A pessoa com perfil cara-de-pau se torna desagradável e inconveniente, principalmente em reuniões e encontros com clientes. Nas grandes empresas, a questão da postura é crucial”, diz Claudia.

Qual atitude te favorece?

A pergunta é: qual é a postura que te favorece, dentro da empresa que está hoje, dentro da função que desempenha? Essa análise vale a profissionais de todos os níveis hierárquicos, da recepcionista ao presidente. Questione: “sua empresa é conservadora ou inovadora?” Pode ser que, no ramo artístico, o expansivo seja mais valorizado, ao passo que, no ramo financeiro, o perfil demandando é outro.

Segundo Clarice, um pouco de timidez não é só um fato de atração nas relações afetivas, mas também na carreira. “Aparecer por aparecer é arriscado. É necessário aprender a mostrar o que faz quando se tem conteúdo, quando o trabalho tem qualidade. Colocar-se em evidência no momento certo é uma atitude inteligente do profissional“.