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Mesmo sem experiência, jovem deve ficar atento às exigências do mercado

O que, afinal, o mercado exige desse profissional em início de carreira? Mostrar interesse é primeiro passo, mas não basta!

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SÃO PAULO – O mercado de trabalho está em mudanças constantes. Não importa se você é um profissional experiente ou um recém-formado, ele exigirá que o seu currículo acompanhe essas evoluções. Para quem já atua há algum tempo, essa situação parece muito natural. Contudo, para quem está começando agora, é difícil saber quais são essas exigências e o que é preciso para conseguir entrar nesse mundo cada vez mais competitivo.

O fato de ainda ter um currículo incipiente não exime o mercado de fazer cobranças. Mas, afinal, o que é exigido de um profissional em início de carreira? De acordo com a gerente de Planejamento de Carreira da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Melina Graf, nesses casos, a palavra-chave é “interesse”. “Tudo o que for para demonstrar o interesse desse profissional em sua área de atuação é válido e deve entrar no currículo”, afirma.

Mesmo sem experiência, dá para conseguir uma boa posição no mercado de trabalho. “Claro que devemos considerar as discrepâncias do mercado, levar em conta a área de atuação, o segmento e a política da empresa, mas esse profissional deve mostrar de início que está interessado e que quer investir na carreira”, completa a consultora de Recursos Humanos do Grupo Soma Desenvolvimento Corporativo, Jane Souza.

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Primeiro passo
Em um processo de seleção, muitas vezes, dizer que está interessado e mostrar entusiasmo não basta. É preciso demonstrar concretamente esse interesse. Aproveitar tudo o que a faculdade pode oferecer é um caminho. Para Jane, é na graduação que a carreira do estudante começa a se formar, mesmo que ele não esteja atuando. “É o momento que ele tem para se abastecer”, diz.

O combustível, explica a consultora, é a carga teórica e até mesmo técnica que o estudante consegue adquirir por meio de estágios e congressos relacionados à sua área de atuação.

Tudo isso, bem delineado no currículo, torna esse iniciante, mesmo sem experiência profissional, atrativo para o mercado. “Certas empresas até preferem jovens sem experiência, porque eles não entram com vícios e são mais fáceis de moldar conforme o ambiente de trabalho e objetivos da empresa”, afirma Jane.

Cursos e workshops também refletem o interesse que esse jovem profissional tem em investir na carreira. “É uma forma de reforçar essa vontade de aprender e é um diferencial”, diz Melina.

Currículo de iniciante
Além de todas as atividades das quais deve participar, o jovem profissional também precisa ficar atento a outros diferenciais que podem ajudá-lo a entrar no mercado de trabalho. “O idioma não é considerado uma exigência em muitas empresas. Mas 
as melhores vagas e os melhores salários exigem isso”, ressalta Melina.

Experiências no exterior e até experiências profissionais fora da área de atuação contam pontos. “Essas atuações, no entanto, devem ser apenas citadas no currículo e não aprofundadas”, afirma a gerente da Ricardo Xavier. Então, por que mencioná-las? “Isso mostra que esse jovem já teve contato com o mercado, com o mundo corporativo, que ele sabe algumas regras”, diz Melina.

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Jane concorda. “Quem está chegando [no mercado] acaba tendo comportamentos inadequados pela falta de experiência mesmo”, diz. Isso é normal. Por isso, ter trabalhado antes, mesmo fora da área, pode ser levado em consideração durante um processo de seleção.

Postura de profissional e não de aprendiz!
Interesse, experiências diversas, cursos, línguas e viagens ao exterior podem se tornar pouco relevantes se esse jovem em início de carreira não adotar uma postura de profissional e desenvolver algumas competências. 
“Esse jovem tem de ter os ouvidos bem abertos para aprender tudo e tem de entender que ele terá responsabilidades e terá de cumpri-las”, ressalta Jane, do Grupo Soma. “Responsabilidade é uma competência exigida de todos os profissionais”, completa.

E não é só ela. Melina faz uma lista das competências que o jovem deve ter para iniciar a carreira de modo sólido: além da responsabilidade, comprometimento, facilidade em trabalhar com grupos, foco e iniciativa. A liderança, para Melina, não é uma competência obrigatório para esses jovens. “Ela [a liderança]  exige um pouco de maturidade e vai se desenvolvendo ao longo da carreira”, diz.

Apesar de todas essas exigências, o mercado não pode tirar desses jovens o direito de ter dúvidas sobre o trabalho que está executando. “Qualquer profissional terá questões pendentes”, afirma Jane. “Se estamos falando de uma empresas saudável, esse jovem tem todo o direito de ter dúvidas. A questão, muitas vezes, não é a dúvida, é o tempo que ele vai levar para compreender esse processo”, completa.

No fim das contas, as especialistas não duvidam que, mesmo inexperiente, o mercado vai exigir uma postura de profissional de um jovem em início de carreira. É só uma questão de tempo. “O importante em todo esse processo de formação da carreira é não queimar etapas”, acredita Jane. “Essa fase de formando é delicada porque é um momento que esse jovem perde a identidade de estudante para adquirir a identidade de profissional”, ressalta Melina, que finaliza com uma dica: “É preciso se empenhar na carreira o quanto antes, porque, hoje, ela cresce muito rápido”, lembra. Assim como o mercado e as exigências.