Maioria dos trabalhadores vai pagar dívidas após receber o décimo terceiro salário

Pesquisa Anefac indica ainda que consumidores usarão o crédito para fazer compras e outros pagarão contas em 2005

SÃO PAULO – A partir de novembro, um grande número de trabalhadores terá uma maior folga em seu orçamento com o recebimento do décimo terceiro salário.

De acordo com pesquisa realizada pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), o pagamento do benefício deverá injetar R$ 30 bilhões na economia até dezembro, quando vence o pagamento da segunda parcela do décimo terceiro salário dos trabalhadores.

Ainda de acordo com a Associação, cerca de R$ 10 bilhões já foram pagos ao longo do ano aos trabalhadores que fizeram o requerimento da antecipação do benefício em janeiro e receberam o dinheiro junto com o pagamento das férias.

Maioria vai pagar dívidas

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Como já era de se esperar, a maioria dos trabalhadores, 60% do total, utilizará os recursos do décimo terceiro para o pagamento de dívidas. Outros 20% serão guardados pelos trabalhadores para as despesas mais pesadas no início do próximo ano (IPVA, IPVA, despesas escolares etc). Finalmente, os 20% restantes serão “investidos” no comércio, isto é, nas compras de Natal e gastos com o Ano Novo.

Os débitos no cartão de crédito, cheque especial e financeiras são as maiores preocupações dos consumidores. Para se ter uma idéia da magnitude das taxas de juros cobradas, pesquisa da Anefac de outubro revela que os juros médios no cartão estão em 10,04% ao mês, seguidos do cheque especial (8,28% a.m.) e empréstimos pessoais em financeiras (12,15% a.m.).

Mais “utilidades” do décimo terceiro salário

A recomendação da Anefac é de que, além do pagamento de dívidas em atraso, o consumidor antecipe um número máximo possível de parcelas de financiamentos já contratados e que cobrem juros.

E se, após ter quitado todas as pendências, ainda sobrar algum dinheiro, o trabalhador deve reservar o saldo positivo na conta e aproveitar para preparar o bolso, pois na virada do ano as despesas tendem a aumentar com o pagamento do IPVA, IPTU, matrículas escolares, materiais didáticos, uniformes etc.