Levar o próprio computador para o trabalho: essa onda vai pegar no Brasil?

Pesquisa da Gartner feita nos EUA, Alemanha e Reino Unido apontou que 40% dos empresários têm uma política do PC doméstico

SÃO PAULO – Uma pesquisa realizada pela Gartner revelou que 40% dos executivos têm uma política de uso de computador dos próprios profissionais em suas empresas.

Ela também mostrou que, em 2009, 10% dos funcionários utilizavam seus próprios computadores e que, até o final de 2010, esse número chegará a 14%.

A pesquisa foi feita com 528 gestores de TI (Tecnologia da Informação) em empresas com mais de 500 profissionais nos EUA, Alemanha e Reino Unido. Mas será que essa onda de levar o computador para o trabalho vai pegar no Brasil?

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Realidade Brasil
De acordo com a HDI Brasil, empresa de service desk, essa questão tem despertado discussões nas empresas dos mais diversos segmentos, em virtude de alguns fatores:

  • Os trabalhadores querem trazer seus hábitos de uso do computador de casa para o ambiente de trabalho;
  • Mais trabalhadores do que nunca trabalham em casa;
  • Há uma série de máquinas antigas nas empresas e os orçamentos de TI têm sido cada vez mais achatados;
  • Substituições têm sido postergadas e as empresas estão buscando formas “inovadoras” de corte de custos.

Porém, de acordo com a consultora de Planejamento de Carreira da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Vanessa Patrocínio, “aqui no Brasil, quase não se houve falar, pois é uma prática iniciante e não existe política definida sobre isso”. 

Para ela, tudo gira em torno da questão dos custos, já que, quando o funcionário leva o próprio computador para o trabalho, as empresas não precisariam reformular o quadro de máquinas internas. Outra variável seria o porte das companhias e a cultura empregada em cada uma delas, o que ditaria se o profissional poderia levar o computador ou não. 

Riscos x benefícios
De acordo com a consultora, os riscos quanto a este processo seriam de segurança, a começar pela facilidade que o funcionário teria para captar todos os dados da empresa.

Por força de hábito, sustenta Vanessa, o profissional poderia também acessar tudo aquilo que quisesse, uma vez que não seria monitorado por seu conteúdo. Essa hipótese significa, dada as medidas proporções, baixo rendimento no trabalho.

Entretanto, não são só problemas que essa tendência traria ao mundo corporativo. Essa situação poderia trazer benefícios, como agilidade maior, assim como produtividade maior, já que haverá uma identificação com a ferramenta de trabalho – o computador pessoal.

Futuro
Nascidos após 1980, a chamada “Geração Y” faria parte do grupo que lidaria com muito sucesso nesse quadro tecnológico. Por ser uma faixa etária que se desenvolveu numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica, esses jovens de hoje trariam mais dinâmica e velocidade na implementação dessa “norma”.

“Provavelmente, essa seria uma situação [levar o computador para o trabalho] preferida por eles”, finaliza Vanessa. Assim como a “Geração Y”, que colheria os frutos do “dom” tecnológico no futuro, os jovens da “Geração Z” também fariam parte dessa fatia de profissionais.