Japão pretende investir no aumento do emprego feminino

Condições mais favoráveis para que mães trabalhem devem permitir aumento da natalidade e resolução da crise demográfica

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SÃO PAULO – O governo japonês anunciou recentemente que pretende reduzir a jornada de trabalho dos servidores públicos que tenham filhos com até seis anos de idade. A decisão reflete a preocupação do governo com a crise demográfica pela qual vem passando o país. Para muitos, contudo, a decisão teria pouco impacto no aumento da população japonesa.

Ainda que a crise demográfica não seja exclusividade do Japão, já que afeta vários dos países desenvolvidos, sobretudo na Europa, a situação japonesa exige mais atenção. E isso se deve ao fato de que, entre os países desenvolvidos, o Japão é o que possui o maior nível de endividamento público, já que a dívida pública corresponde à 157% do PIB (produto interno bruto).

Prejuízo econômico

Se para a maior parte dos países desenvolvidos a queda na natalidade e o envelhecimento da população devem pressionar as contas do governo, no Japão esta situação tem dificultado a retomada do crescimento econômico. Isso porque a queda da mão-de-obra reduz em meio ponto percentual o crescimento do PIB a cada ano, o que acaba dificultando ainda mais a redução do endividamento do país.

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Incentivar o crescimento populacional e a manutenção das mulheres no mercado de trabalho, mesmo após terem filhos, passou a ser, portanto, prioridade. Afinal, a alternativa seria importar mão-de-obra, mas isso ainda não é uma tarefa fácil, devido ao certo conservadorismo do povo japonês com relação aos dekasseguis.

Diante disso, o governo é forçado a fazer o máximo que pode com a mão-de-obra que já possui, ao mesmo tempo em que precisa reduzir este ritmo de redução. Era de se esperar que a primeira providência a ser tomada seria adiar a aposentadoria dos trabalhadores, porém existe pouco espaço para isso, visto que no Japão o nível de emprego entre as pessoas com idade entre 55 e 65 anos já é bastante elevado.

Emprego entre mães é baixo

Assim, o governo optou por aumentar o emprego entre as mulheres, já que a taxa de emprego das japonesas é de 57%. Apesar de estar em linha com a média da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a taxa de emprego feminina do Japão é muito inferior àquela registrada em países como Suíça, Suécia, Noruega e Dinamarca, nos quais o emprego feminino alcança 70%.
Além disso, o país precisa elevar a taxa de natalidade entre as mulheres dos atuais 1,29 para 2,1, se quiser estabilizar a sua população. Caso contrário, estima-se que a população japonesa irá desaparecer até 3037. Por mais que os dois objetivos pareçam conflitantes, a experiência na Escandinávia prova que não precisa ser assim.
Nestes países os governos dedicam entre 3% e 4% do PIB para serviços familiares, e a garantia de direitos durante a maternidade reduz os custos associados de se ter filhos. São iniciativas desse tipo que irão garantir que o governo japonês consiga ao menos minimizar a crise demográfica pela qual passa a segunda maior economia do mundo.
Atualmente, apenas 35% das mulheres com filhos em idade até seis anos de idade estão trabalhando, muito abaixo, portanto, da média da OCDE de 59%. No momento, as mulheres japonesas se vêem forçadas a escolher entre o trabalho e a maternidade. Enquanto isso não mudar, as chances do governo japonês superar a crise demográfica do país são pequenas. As medidas anunciadas nesta semana devem ser analisadas sob essa ótica, e nesse sentido são muito favoráveis.