Intercâmbio: como sair da empresa com a garantia de que a vaga ainda é sua?

Nem tudo é tão simples no mercado. Mas pouco é impossível. Especialistas dizem que o ideal é deixar claro que quer voltar

SÃO PAULO – Mesmo com a economia brasileira estável e muitos segmentos de produção em crescimento, o mercado de trabalho sempre parece oscilar. Para alguns profissionais, o mercado vive em crise. E, mesmo para aqueles que se sentem bem seguros na empresa onde trabalham, deixar o posto profissional, mesmo que temporariamente, pode parecer arriscado. E se o motivo for um intercâmbio, é possível sair e encontrar a sua vaga quando voltar?

Não existem respostas certas. O que dá para dizer é que,nesse mercado onde tudo que é sólido pode se dissipar no ar, muita coisa é possível. “Nenhuma empresa quer perder um bom profissional”, avalia a consultora de RH do Grupo Soma Desenvolvimento Corporativo, Juliana Saldanha. “Não existem regras para garantir uma vaga. Isso depende muito”, completa. Depende do cargo, da política da empresa, do momento no qual o profissional quer pedir para sair e do tempo que ficará fora.

“O mercado está muito competitivo, é difícil garantir qualquer coisa, mas não é impossível”, avalia a especialista em comportamento e moda no trabalho, Rosana Fa. Para ela, essa possibilidade é maior quanto melhor for o empregado. “Existem profissionais que são tão bons que a empresa não quer se desligar dele”, ressalta.

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Viagem deve trazer ganhos para as empresas
Nessa caminhada em busca de alguma garantia, um ponto é certo: o intercâmbio deve estar relacionado ao trabalho do colaborador, à sua formação ou à política da empresa. Caso contrário, as chances de se conseguir a vaga na volta para a casa são ainda menores. “Um intercâmbio já é um enriquecimento por si só, mas dependendo da função desse profissional, o argumento do aperfeiçoamento da língua não se sustenta”, afirma Rosana.

A consultora ressalta que é preciso que a viagem, no fim das contas, faça diferença para o trabalho desse colaborador e traga resultados, mesmo que indiretos, para a empresa. Juliana também crê nessa percepção. “É preciso que o intercâmbio esteja ligado ao ramo de atuação desse profissional”, reforça.

E, para tornar as chances de ter o emprego de volta quando a viagem terminar, o ideal é que a viagem não dure muito tempo. “Isso também varia muito de acordo com a empresa, mas, para evitar prejuízo para a empresa, quanto mais curto esse período, melhor”, diz Juliana.

Para Rosana, três meses é um limite razoável. “Mais que isso pode ser negociável, dependendo da empresa, do trabalho desse colaborador e da importância dele para a empresa”, explica.

Comunicação clara
Se o intercâmbio está nos planos de algum profissional e ele quiser tentar garantir a vaga na volta da viagem, ele deve ser claro em suas intenções. “Durante a conversa, o importante é deixar claro o interesse que tem em voltar para a vaga que ele ocupa e esclarecer os motivos desse interesse”, ressalta Juliana.

E qual o melhor momento para se ter essa conversa? Esse ponto vai depender do planejamento que o profissional fará da viagem. Aqui, também vale a ideia do quanto antes, melhor. “Muitas vezes, o colaborador pode ficar inseguro de falar com muita antecedência, mas é importante que ele demonstre o interesse em ficar. É importante essa clareza da comunicação”, ressalta Juliana.

E mesmo se tudo ficar acertado, o profissional ainda corre riscos. “Claro que, se a empresa for idônea, a chance do que foi acertado não ocorrer é muito pequena. Mas precisamos entender que o mercado é dinâmico. Ele corre”, reforça a consultora do Grupo Soma Desenvolvimento Corporativo.

Então, qual é o melhor momento para fazer intercâmbio e deixar a empresa? “Se o profissional quer garantir a vaga, o melhor momento é o da empresa, um momento no qual não existem projetos que demandem muito desse profissional”, afirma Rosana.

Para Juliana, não tem como prever se o período de viagem é o melhor para a empresa. “É difícil ele fazer essa avaliação com 100% de certeza”, afirma. “Se ele for um bom profissional e a empresa quiser mantê-lo, não existirá um melhor momento”, diz. “Esse momento é o do profissional”.

Estágio
Se, para um profissional, já é bem difícil garantir a vaga, para um estagiário pode ser ainda mais. “A garantia de um estagiário voltar é menor que a de um profissional”, ressalta Juliana. A consultora explica que, pelas regras vigentes, um contrato de estágio tem duração máxima de dois anos. “Ele tem de avaliar se não vale a pena esperar terminar esse prazo”, diz.

Segundo ela, para os estudantes, um intercâmbio tem grande valia no início de carreira. Por isso, é bom pesar a decisão. “Para o estagiário, o retorno ao mercado depois da viagem é mais fácil”, avalia.