Frente à crise, classe C foca consumo em produtos de necessidade imediata

Eles também passaram a trocar de marca, optando pela mais em conta, e substituir produtos por equivalentes com custo menor

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SÃO PAULO – O neofrugalismo, termo utilizado para designar uma tendência de consumo, na qual se valorizam os gastos e se reduzem os supérfluos, parece ter se fortificado com o advento da crise financeira.

No Brasil, essa mudança de atitude em relação ao orçamento, segundo a professora do Provar (Programa de Administração do Varejo) da FIA (Fundação Instituto de Administração), Flávia Ghisi, fica mais clara de se observar na alta redução do consumo da Classe C.

Ao mesmo tempo em que esses consumidores passaram a focar suas aquisições nos produtos de necessidade imediata, eles também passaram a trocar de marca, optando por uma mais em conta, e substituir produtos por equivalentes com custo menor.

Mudança de comportamento

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Isso ocorreu pois, no ano passado, houve um inchaço desta faixa de renda – que passou a representar 46% dos consumidores – e como é um público ávido de consumo, sofreu os maiores impactos da crise.

Nas Classes A/B, por outro lado, a influência da crise foi amena, permitindo que eles continuassem fiéis às marcas preferidas, sem afetar o consumo.

Frente a essa conjuntura, Flávia lembra que o mercado de luxo, por exemplo, continua crescendo e também se tornou mais exclusivo, porque a Classe C deixou de adquirir estes produtos. “Percebemos ações agressivas de certas redes com o objetivo de aumentar a venda de produtos mais sofisticados”, destacou a professora do Provar.

Consumo “fútil”

Em relação ao chamado consumo “fútil”, o economista da Fecomercio-SP, Altamiro Carvalho, afirma que, em tempos de crise, a tendência é que ele reduza drasticamente.

Porém, como cada pessoa é atingida de uma forma diferente – assim como postulou Flávia -, para ele, o consumo do que não é essencial não vai acabar.

“É natural do ser humano o consumo de conforto. Assim que a crise estabilizar e voltar o período de prosperidade, o consumidor vai ficar mais confiante e voltará a consumir o que não é essencial”, reiterou o economista.

De olho no lazer doméstico

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Outra tendência que já se observa, lembra Altamiro, é o investimento que o consumidor está fazendo em lazer doméstico, observado, por exemplo, no aumento da audiência e da assinatura de televisão.

O consumidor brasileiro tem experiência com momentos delicados em que não se deu atenção ao orçamento, como o período de superinflação que durou até 1994.

“O consumidor é um gato escaldado [que tem medo de água fria] e busca uma alternativa que lhe dê conforto sem comprometer o orçamento doméstico”, explicou o economista.