Poder da "fofura"

Fotos de filhotes podem melhorar a concentração, diz estudo

Testes comprovam que ver fotos de animais "fofos" pode aumentar a concentração em uma atividade e diminuir o tempo em que ela é realizada

SÃO PAULO – Esta notícia vai para aqueles que amam ver fotos de animais: um estudo provou que olhar fotos de filhotes aumenta consideravelmente os níveis de concentração do ser humano. A pesquisa “The Power of Kawaii”, ou “O poder do ‘fofo’” (Kawaii significa “fofura” em japonês), publicada na revista Plos One, constatou que o poder da “fofura” pode afetar positivamente a concentração humana.

Para chegar ao resultado, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Hiroshima, com referência a um estudo semelhante de 2009, separou grupos de pessoas comuns para jogar um jogo de tabuleiro após ver imagens consideradas bonitas. O resultado foi que as imagens aumentaram o nível de concentração dos jogadores.

Depois disso, os pesquisadores estabeleceram três novos experimentos para testar que tipo de concentração é melhorado pela exposição das fotos e, é claro, definir o que é “fofura”. Nesse caso, eles consideraram que os “objetos bonitos são simbolizados como bebês” – o que significa grandes olhos e rostos arredondados. Isso alimentou a hipótese de que a concentração aumenta por uma espécie de reflexo do comportamento instintivo, que ocorre quando os seres humanos estão perto de bebês que não podem cuidar de si próprios.

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O experimento
No primeiro teste, 48 participantes foram divididos em dois grupos. Eles jogaram um jogo semelhante ao do estudo de 2009 e, em seguida, um grupo observou uma coleção de fotos de filhotes e o outro fotos de animais adultos, logo depois voltaram a jogar. O resultado foi que o grupo que viu as fotos de filhotes tiveram melhores pontuações em menos tempo do que o outro que observou animais adultos. A constatação replicou os resultados do estudo de 2009.

O segundo experimento era contar quantas vezes um determinado número apareceu entre um sequência aleatória de números. O grupo que tinha visto novamente as fotos de filhotes “fofos” teve um grande aumento de precisão e velocidade (assim como no experimento anterior) em relação ao outro grupo.

Porém, no terceiro teste não foi encontrado qualquer melhoria nos tempos de reação entre os dois grupos que tinham de identificar uma letra que brilhava rapidamente em uma tela a sua frente. Isso mostra que a “fofura” funciona como uma ajuda para a concentração e não como algum tipo de ajuda geral para a capacidade mental.

No entanto, os pesquisadores alertaram que o estado psicofisiológico implícito na sensação de observar algo “fofo” tem de ser mais explorado antes de qualquer conclusão definitiva sobre o tema. Há também questões culturais em jogo, uma vez que ocidentais e orientais apresentam reações diferentes em determinadas exposições de fotos consideradas “fofas”.