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Faltam médicos no País, o que indica espaço no mercado de trabalho

De acordo com pesquisa da FGV, há um médico para 595 habitantes no Brasil. Ideal é 300 habitantes por médico

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SÃO PAULO – Uma das carreiras mais concorridas no vestibular sofre com falta de profissionais. Segundo dados divulgados pela Fuvest em novembro de 2007, Medicina/Ciência Médica foi o quinto curso com maior número de candidatos para cada vaga disponível para este ano. A relação candidato/ vaga foi de 33,99.

Apesar da disputa, que indica o interesse de muitas pessoas pelo ramo, um estudo divulgado na terça-feira (15) pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) revela que faltam médicos no País.

De acordo com a pesquisa, referente a 2005, há um médico para 595 habitantes no Brasil. O economista Marcelo Néri, responsável pelo levantamento, opinou que, embora o número não esteja tão distante do que se considera ideal – que é cerca de 300 habitantes por médico -, o problema é que esses profissionais estão mal distribuídos.

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Para se ter uma idéia, no município Belford Roxo-RJ, há um profissional para cada 6.878,54 habitantes. O déficit de médicos indica que há, portanto, espaço no mercado de trabalho.

Indicadores

“Todos os indicadores da pesquisa revelam que o Brasil tem uma quantidade de médicos aquém do que seria recomendado. Essa categoria profissional é a que apresenta a maior taxa de ocupação, de 90%, a maior média salarial, que é de R$ 6.270, bem como a maior jornada de trabalho, com 50 horas semanais”, afirmou o economista à Agência Brasil.

Ele ainda citou países como Itália e França, que possuem 300 habitantes por médico, e afirmou que o Brasil não está muito longe desse ideal. “O principal problema é a locação espacial – há muitos médicos onde a necessidade é menor e faltam profissionais em áreas mais pobres, rurais e distantes”, explicou.

Análise por regiões

Entre os estados brasileiros com menor déficit de médicos, estão Distrito Federal, com 292 habitantes por médico; Rio de Janeiro (299 por um); e São Paulo (448 por um). Na outra ponta, por sua vez, aparecem Maranhão, na pior colocação, com 1.786 habitantes por médico; o Pará, com 1.351; e o Piauí, com 1.282 habitantes por médico.

Para minimizar as divergências entre número de médicos e de habitantes, Néri defende que são necessárias iniciativas dos governos, como a criação da Força Nacional de Saúde, que realoca médicos em casos de epidemias. Outra medida é incentivar médicos recém-formados a trabalhar em áreas remotas.