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Estas 10 profissões devem desaparecer: como não perder a vaga para um robô

Todos precisarão se adaptar ao novo momento do mercado de trabalho; confira as dicas dos especialistas

Robôs x humanos
Humanos têm muitas chances de não ficarem para trás na corrida por um emprego contra robôs, mas é preciso se preparar
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SÃO PAULO – O mercado de trabalho está em constante mudança – e a velocidade com que isso acontece aumenta, dada a chegada da tecnologia nas empresas. Um relatório do Fórum Econômico Mundial, The Future of Jobs, afirma que 65% das crianças que estão no primário hoje terão uma profissão completamente nova no futuro.

Além disso, muitas carreiras desaparecerão e outras serão substancialmente alteradas. Até 2030, espera-se que a taxa de desemprego global salte cerca de 4 vezes, dos atuais 4,9% para 20%. 

E no meio desse processo, os profissionais terão que se adaptar e se preparar para uma possível transição de carreira – já que muitas profissões deixarão de existir e outras vão surgir.

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Segundo um estudo desenvolvido pelo Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da Universidade de Brasília (UnB), 54% dos empregos formais estão em risco no Brasil. O estudo mostra que 30 milhões de vagas com carteira assinada seriam fechadas até 2026 se todas as empresas do país decidissem substituir trabalhadores humanos pela tecnologia já disponível.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro também elaborou um estudo que mostra as dez profissões com o maior número de trabalhadores no Brasil e qual a probabilidade de serem automatizadas com a Indústria 4.0.

Veja:

Ocupação* n° de trabalhadores Probabilidade de automação 
7. Operador de Caixa823.47697%
1.Assistente Administrativo2.081.93996%
2. Auxiliar de Escritório, Em Geral2.036.57196%
6. Alimentador de Linha de Produção860.74093%
3. Vendedor de Comércio Varejista2.007.04292%
10. Servente de Obras571.66388%
9. Vigilante630.38784%
5. Motorista de Caminhão (Rotas Regionais e Internacionais)877.08179%
8. Professor de Nível Médio no Ensino Fundamental749.66756%
4. Faxineiro1.344.93966%
*Os números ao lado de cada ocupação representam a posição das profissões no ranking de maior número de trabalhadores do país, segundo o estudo da UFRJ. 

Transição de sucesso

Geralmente, há sinais de que é hora de fazer uma transição de carreira. “Descontentamento e comprometimento com a saúde emocional, física, social e financeira são alertas que está na hora de mudar alguma coisa. Mas no contexto da Indústria 4.0, o que também vai motivar uma transição é o potencial risco de a profissão perder valor ou desaparecer”, explica Rebeca Toyama, especialista em Desenvolvimento Humano.

E nesse sentido, Marcelo Cuellar, Diretor Regional de Projetos da Korn Ferry, maior consultoria de carreira do mundo, afirma que a preparação para uma potencial mudança de emprego deve começar o mais rápido possível.

“Essa revolução que já começamos a presenciar é diferente de todas as outras. Antes, tinha pouco a ver com a capacidade criativa, máquinas substituíam funções de força, era algo físico. Hoje, softwares sugerem opções de filmes, ou são programados conforme seu estilo de público-alvo, por exemplo. A adaptação será mais radical e precisa começar logo”, diz.

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Rebeca entende esse novo momento do mercado de trabalho como paradoxal. “Embora a tônica da revolução seja a velocidade e tudo vem sendo feito de forma automatizada e mais rápida, os profissionais precisarão dedicar tempo para conseguir fazer uma mudança de emprego nesses termos”, diz.

Segundo ela, uma transição de carreira completa pode durar de três a cinco anos. “A partir do momento que o profissional tem a percepção de que precisa mudar, começa um plano de ação para isso acontecer”, diz.

O grande desafio, no entanto, é que muitas pessoas acham que essa revolução está longe e não estão se preparando. “Algumas pessoas não têm a noção de que precisam se preparar, e outras têm alguns receios de mudar. Quando você faz uma transição de carreira, é preciso derrubar paradigmas anteriores como ‘o que eu sei’, ‘o que eu sou’ e ‘para que servem minhas experiências’, e redefini-los para entender onde suas habilidades se encaixam nesse novo contexto”, explica Rebeca.

Segundo ela, muitas vezes, a pessoa não sabe que o seu conhecimento é uma demanda em uma determinada área. “A pessoa fica batendo a cabeça para se recolocar, mas está procurando na área errada. Por exemplo, filósofos e antropólogos estão cada  vez mais trabalhando com inteligência artificial, porque o sistema precisa de humanização. Essa revolução vai derrubar alguns muros entre áreas e segmentos”, diz a especialista em desenvolvimento humano.

Esse processo de transição também pode ser chamado de “metamorfose”, e que na prática significa entender suas habilidades e saber onde estão sendo demandadas. “E isso não é necessariamente simples, por isso quanto antes começar melhor”, diz Rebeca.

Ela também diz que o profissional precisa tomar cuidado para não desenhar uma estratégia de carreira em que queira superar as máquinas. É preciso se alinhar à existência delas e se adaptar para ter diferenciais que elas não tenham.

“É uma competição injusta tecnicamente. A propensão a erro dos robôs é menor, não têm cansaço, e nem precisam de luz para trabalhar. Por isso, as habilidades comportamentais serão diferenciais. Então, pense: ‘o que preciso pôr na caixinha do conhecimento para me diferenciar da máquina?’. É assim que o profissional vai ter sucesso”, explica.

Habilidades para a transição

Durante esse processo, o profissional precisa entender quais são as suas habilidades que farão diferença e quais ele ainda precisa desenvolver.

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Ambos os especialistas acreditam que as soft skills realmente farão a diferença, porque “elas são provavelmente tudo o que as máquinas não têm”, diz Cuellar.

“Acho que essas habilidades serão um dos segredos dessa transição de sucesso. Aquele tipo de situação: ‘ele é grosso, mas traz resultados’, com as máquinas vai acabar, porque os robôs farão o resultado. O que vai forçar o profissional a crescer ou ficar fora do jogo”, afirma o executivo da Korn Ferry.

Ele também diz que a máquina não tem uma “postura social”. “Os robôs não são capazes de interpretar situações humanas, como dilemas sociais, valores, cultura, prioridade do certo e errado, entre outros. A máquina não tem essa sensibilidade, mas que nós temos e precisamos usar a nosso favor”, diz.   

Para facilitar a análise do profissional, Rebeca listou as habilidades que serão úteis na Indústria 4.0 e que facilitarão uma transição de sucesso. São elas:

Habilidades
Flexibilidade CognitivaCapacidade de ampliar o modo de pensar, imaginando caminhos alternativos para solucionar os problemas que surgem no cotidiano.
Capacidade para negociarSaber conversar com clientes, colegas e gestores e ter a persuasão para conseguir atingir seus objetivos durante uma negociação.
Saber encantar clientesSaber orientar os consumidores e oferecer mais experiência. O profissional deverá conhecer bem o seu público para se adaptar aos serviços oferecidos à realidade dele.
Julgamento e Tomada de Decisões Compreensão dos dados e análise de problemas passados podem ajudar a tomar decisões estratégicas e mais assertivas.
Inteligência EmocionalReconhecer e avaliar as emoções das outras pessoas e estabelecer empatia com esses sentimentos visando sempre resultados desejados, são formas de desenvolver essa habilidade.
LiderançaComunicação, boa síntese, falar em público, conduzir uma negociação e estar à frente de uma equipe são necessidades cada vez mais exigidas para o ambiente profissional.
Gestão de Pessoas Saber gerenciar pessoas é o mesmo que saber maximizar a produtividade. Isso inclui: motivar as equipes, responder às necessidades dos funcionários, ajudá-los a lidar com os problemas do dia a dia, entre outros tópicos.
CriatividadeO profissional criativo consegue conectar informações aparentemente diferentes e, a partir dessa conexão, construir ideias inovadoras para apresentar algo novo.
Pensamento CríticoO pensamento crítico envolve a capacidade de usar tanto a lógica quanto o raciocínio para questionar determinados problemas, identificar os “prós” e “contras”, ponderá-los e considerar as diferentes soluções para os obstáculos.
Resolução de Problemas ComplexosCapacidade de solucionar problemas indefinidos e novos. Construída a partir de uma base sólida de pensamento crítico e criatividade. O profissional terá de contar com uma elasticidade mental para resolver problemas que jamais viu antes.

 

Ela explica que nem todo mundo vai possuir todas essas habilidades, mas a tabela pode servir de guia para balizar algumas características que o profissional já tem e quais ele pode começar a desenvolver.

Cuellar também cita que esse novo contexto vai exigir profissionais conectados e ativos. “Mantenha seu celular carregado e aproveite todas as oportunidades de conhecer pessoas e lugares novos. Um mundo 4.0 exigirá profissionais multiculturais, conectados em escala global. Se você não sabe de algo, esteja próximo de quem saiba. Quanto mais se integrar, mais construirá pontes, que vão podem trazer novas oportunidades”, afirma.

Em meio a todo esse processo, a proatividade do profissional também será essencial. “As pessoas precisam se preparar, estudar, buscar alternativas e se adequar a esse novo contexto. Não tem muita saída”, explica o executivo da Korn Ferry. 

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