Equipes virtuais: veja como elas funcionam

Resultado da globalização, grupo virtual trabalha além das fronteiras organizacionais, com "links" facilitados pelas tecnologias

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SÃO PAULO – Os resultados da incontestável globalização estão sugerindo, ou até impondo, novas modalidades de trabalho e de gestão às organizações, que estão sendo tentadas e testadas sem que se tenha, até o momento, uma avaliação mais precisa de resultados, segundo explicação do professor da Fundação Vanzolini e sócio-diretor da LCZ Desenvolvimento de Pessoas e Organizações, Luis Felipe Cortoni.

Em meio às citadas mudanças, está a formação dos grupos ou equipes virtuais, que agora começam a amadurecer, desafiando tudo o que os gestores de equipes sabiam sobre grupos dentro das organizações.

O que são as equipes virtuais?

O professor explica que, segundo algumas poucas bibliografias disponíveis – e muitas experiências práticas em andamento -, o grupo virtual tem tudo o que os grupos tradicionais têm. Sua diferença está na forma como seus membros se vinculam, se relacionam, se articulam em torno do objetivo, ou seja, a diferença está basicamente nos seus “links”.

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Assim, diferentemente dos grupos convencionais, o grupo virtual trabalha além das fronteiras organizacionais, com “links” fornecidos, facilitados e fortalecidos por tecnologias da informação. É possível encontrar grupos virtuais, por exemplo, formados por pessoas da mesma empresa, porém que trabalham em países diferentes.

Equipe virtual versus equipe convencional

A questão proposta por Cortoni é: será que é possível criar vínculo com outras pessoas que nem conhecemos pessoalmente, mas com as quais conversamos diariamente, através dos meios eletrônicos? Existirão vínculos neste caso?

“Parece que a resposta é sim, porém será preciso estudar mais e compreender mais as experiências atuais com estes grupos. Já existem, por exemplo, metodologias que podem facilitar o lançamento de um grupo deste tipo, para que ele possa, posteriormente, de fato, desenvolver e consolidar suas características virtuais”, reflete o especialista.

Processos diferentes

Outra diferença fundamental deste tipo de grupo, em relação aos grupos convencionais, está, principalmente, nos seus processos internos – interpessoal, lógico e formal – e na existência de um processo cultural que aparece com maior nitidez, e muitas vezes como variável determinante, do seu sucesso.

Quando considerado o nível interpessoal, as características principais são: pouco vínculo, pessoas estranhas entre si, existência de colegas, amigos e inimigos no mesmo grupo, comunicação comum via telefone, nível de conflitos mais baixo no contato virtual e mais alto no face a face, necessidade de criar vínculos específicos que sustentem a relação virtual, relacionamento muito vulnerável com necessidade de mais tempo para consolidá-lo, graus de envolvimento e compromisso sempre sujeitos a diminuir e necessidade de grande confiança entre os membros (por conta da falta do face a face).

Outras características peculiares:

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No processo cultural:

  • Diferenças culturais marcantes entre membros, problemas de etnocentrismo e preconceitos mais visíveis;
  • Diferenças na importância dos papéis envolvidos;
  • Presença de idiomas diferentes;
  • Diferenças nas práticas e procedimentos discutidos segundo os países de origem, apesar de pertencerem à mesma empresa;
  • Presença de hierarquia formal no país de origem que nem sempre compreende as necessidades ou apóia o projeto global/regional.

No processo lógico:

  • Necessidade de inovação e criatividade em contexto de realização complexo;
  • Tarefas realizadas muito lentamente;
  • Necessidade de conhecer ferramentas de trabalho específicas: tecnológicas, de inovação e de informática.

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No processo formal:

  • Necessidade de clareza e compreensão máximas dos objetivos;
  • Necessidade de compreensão dos papéis e contribuições de cada participante da equipe;
  • Necessidade de um coordenador que centralize algumas atividades;
  • Necessidade de investir muito na formalização (procedimentos, regras internas, objetivos, distribuição de papéis, organização do trabalho);
  • Alta interdependência na tarefa e pouca no resultado final (na implantação dos resultados);
  • Trabalho fortemente apoiado por ferramentas eletrônicas: necessidade de desenvolver mecanismos de interação/ cooperação eletrônica.

“Sabemos que estamos com um grupo especial, que irá demandar tratamento diferenciado para suas necessidade de funcionamento. Portanto, exigirá dos responsáveis por eles um repertório de competências específicas para formá-los, mantê-los e desenvolvê-los”, finaliza Cortoni.