Entenda o que faz a engenharia ser a área que mais oferece oportunidades

Em 2006, foram abertas 3,3 mil novas vagas na área e, neste ano, até setembro, o número foi de 3,7 mil

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SÃO PAULO – O número de empregos que estão sendo criados para engenheiros chama a atenção, na comparação com as demais atividades tradicionais. De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), somente em 2006, foram abertas 3,3 mil novas vagas na área de engenharia e, neste ano, até setembro, esse número foi de 3,7 mil.

Apenas a título de comparação, de acordo com a pesquisa mensal da Manager Assessoria em Recursos Humanos, em outubro, os profissionais de engenharia encontraram o maior número de novas vagas (33,69%). Há meses, eles lideram a lista. Já os formados em administração ficaram em segundo lugar, com 19,95% das ocupações. Por outro lado, os profissionais de Psicologia (2,70%), Direito (2,69%), Publicidade, Propaganda e Marketing (2,32%), Comércio Exterior (1,32%) e Comunicação (1,12%) ficaram nas últimas colocações.

Mas quais são os fatores que estão impulsionando esse crescimento contínuo? Na opinião da vice-reitora da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), Rivana Basso Marino, o motivo é o crescimento da economia do País, somado à expansão da tecnologia. Ela exemplifica: “Todos os tipos de produção industrial demandam profissionais com formação técnica, o que está causando a valorização cada vez mais intensa do engenheiro. Além disso, o mercado global exige que as empresas sejam competitivas e, portanto, contratem mão-de-obra qualificada.”

Áreas

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Um dos tipos de engenharia que nunca recebeu muita atenção no Brasil é a de projetos. Mas justamente essa área vem crescendo a um ritmo voraz. Isso acontece porque, se antes as exportações do País eram, basicamente, de matérias-primas, atualmente, a indústria brasileira exporta itens com valor agregado. E a tendência é de crescimento. “O profissional com essa formação irá propor produtos tecnicamente melhores e processos mais rápidos. Ou seja, ele irá inovar. A inovação tanto na gestão quanto no produto é fundamental para otimizar recursos, garantindo assim a sobrevivência de uma empresa no mercado”, enfatiza a vice-reitora da FEI.

Entretanto, ela avalia que a área com demanda mais alta é a da construção civil, uma vez que a população está vivenciando um boom no mercado imobiliário, não somente nos grandes centros urbanos, como antigamente, mas também em cidades do interior, que agora estão se desenvolvendo. “O engenheiro civil está sendo requisitado inclusive para realizar obras que mudam a infra-estrutura dos municípios.”

Setores promissores

Já a área de engenharia química sentiu o peso das contratações maciças implementadas pela Petrobras. Além disso, o setor de biocombustíveis está se expandindo. “Gestores de usinas de álcool do interior reclamam que falta mão-de-obra qualificada para trabalhar com eles. Aparentemente, estão faltando engenheiros químicos”, opina.

Outro setor que pode sofrer com a escassez de profissionais é o referente aos projetos que envolvem eletricidade. “A tendência é que o mercado volte a demandar engenheiros elétricos, mais especificamente eletroeletrônicos. O problema é que há poucas pessoas com essa formação”, destaca Rivana.

Dentro da engenharia elétrica, existem também as especialidades eletrônica, telecomunicações, mecatrônica e de computares. Apesar de todas estarem em alta, há uma que se sobressai: “Na FEI, temos muitos pedidos de empresas procurando engenheiros de computação ou cientistas da computação”, conta a vice-reitora.

Boa fase

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Algumas áreas passam por um período de prosperidade. Com o crescimento do número de montadoras nos últimos quinze anos, por exemplo, o engenheiro automobilístico está sendo muito solicitado. “A indústria automobilística passa por uma fase boa, com o volume de produção em alta”, sublinha. Outro destaque é a engenharia robótica, que vem cumprindo seu papel de manter a competitividade das indústrias, agilizando processos por meio dos robôs.

O setor de telecomunicações, por sua vez, cresceu demais há alguns anos, mas não de maneira sustentável, o que acarretou em um período de estagnação, que chegou a ser interpretado como crise. No entanto, já se recuperou, e as perspectivas para o engenheiro da área são otimistas.

Mercado

Em termos de procura de estagiários, recém-formados e trainees, a FEI observa que o principal segmento contratante também é o da construção civil. “Muitas empresas procuram estagiários e falam do medo que têm de não ter gente suficiente para crescer, de faltar mão-de-obra qualificada”, lembra Rivana. “Quando empresas do setor têxtil entraram em crise, com a invasão chinesa, elas disseram que precisavam de engenheiros para ajudá-las a vencer a concorrência.”

Por fim, ela cita que até os bancos estão preferindo os engenheiros. Apesar de a maioria das atividades desenvolvidas em instituições financeiras ter pouco a ver com o curso de engenharia, ela credita o fenômeno ao fato de que esses profissionais desenvolvem raciocínio lógico e têm facilidade em fazer contas ao longo da faculdade. Além disso, aprendem a lidar com análise de custos e projetos. “Muitos engenheiros que hoje estão em bancos fazem análise de crédito”, conclui.