Em carreira / emprego

"Seu emprego pode estar ameaçado, mas o trabalho continua", explica sociólogo

As novas tecnologias estão mudando as formas de trabalho, mas algumas habilidades e conhecimentos podem fazer com que o profissional se destaque no mercado de trabalho

José Pastore
(Divulgação)

SÃO PAULO – Com o desenvolvimento e avanço das tecnologias, tarefas que antes exigiam grande esforço são hoje simplificadas, facilitando o dia a dia das pessoas e tarefas do cotidiano, mas também substituindo a mão de obra humana. E por isso é fundamental que os profissionais desenvolvam habilidades para se destacar neste mercado de trabalho cada vez mais competitivo. 

Em entrevista ao InfoMoney, José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Federação, afirmou que as primeiras profissões que serão substituídas pela inteligência artificial, pela robótica ou pela impressão 3D são aquelas constituídas de operações rotineiras, manuais, como as responsáveis pela linha de montagem.

“O empregado que antes parafusava e pintava o automóvel hoje já perdeu lugar para o robô. Daqui a pouco robôs vão dirigir caminhões, ônibus etc, e aí a profissão de motorista também vai deixar de existir”, diz. O sociólogo também cita como exemplo o funcionário que antes carregava mala em hotéis, o qual está “desaparecendo” aos poucos com a popularização das malas de rodinha.

Por outro lado, Pastore explica que a modernização também implica no surgimento de uma série de novas profissões na área da saúde e do direito, por exemplo. Profissionais que cuidam de sistemas operacionais, informática, administração e logística também vem se beneficiando com as novas descobertas, conta.

O professor destaca, porém, que o cenário não é marcado somente pela destruição ou criação de determinadas profissões, mas principalmente pela transformação. São carreiras que continuam com o mesmo nome, mas que tiveram suas habilidades transformadas. “O cirurgião hoje faz coisas que ele não fazia uns anos atrás: além da cirurgia, realiza o amparo físico, biológico e conta com uma equipe interdisciplinar que faz toda a cirurgia, acompanha e oferece outros suportes”, conta.

Há determinadas profissões e atividades que dificilmente serão atingidas pelas tecnologias, afirma Pastore. “Todas as atividades que dependem de carinho, afeto, criatividade, empatia, coragem e emoções não serão afetadas - pelo menos não no curto prazo”, diz. Ele explica que por mais que engenheiros se esforcem para criar máquinas que sintam e façam tudo, algumas coisas “mais simples” ainda são difíceis de mecanizar. “Colocar cordões em um sapato, por exemplo, é algo que ainda não é totalmente mecanizado. Por mais que todo o resto seja mecanizado, são tantos movimentos para colocar o cadarço que até agora são humanos que fazem”, conta. Ainda segundo ele, mesmo que haja um apoio das tecnologias (um cabeleireiro que utiliza um secador mais potente, por exemplo), a parte “artística” não será afetada.

Com as mudanças do mercado de trabalho, Pastore afirma que é fundamental ter a capacidade de acompanhar as inovações. “Hoje em dia é muito importante que a pessoa tenha uma formação básica boa, com conhecimentos diversos como línguas, matemática e lógica para acompanhar as inovações”, diz.

Ele explica que é muito difícil treinar e estar preparado para todas as novas tecnologias e, que apesar de algumas empresas treinarem seus funcionários, o grosso da adaptação é feita com a ilustração geral. Outras habilidades segundo o professor são raciocínio indutivo e capacidade verbal.

“Não existe mais carreira linear: da pessoa termina a escola, fazer faculdade e depois ficar no mesmo emprego pelo resto da vida. Hoje o profissional precisa aprender e se inovar a todo momento”, diz. E completa: “O que existe são carreiras múltiplas. O emprego pode estar ameaçado, mas o trabalho continua. O que existe hoje são novas formas de trabalhar e contratar”.

O mercado de trabalho está difícil? Invista. Abra uma conta na XP

 

Contato