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Diretor da Anhanguera de Sorocaba é afastado por assédio moral

Ex-funcionária afirmou que ele chamava os empregados de "lesma" e "burros"

Anhanguera Educacional
(Divulgação Anhanguera)

SÃO PAULO – O diretor das Faculdades Anhanguera na cidade de Sorocaba, em São Paulo, Adriano Pila, deve ser afastado de suas funções no prazo de 15 dias a partir da notificação da Anhanguera Educacional, um dos maiores grupos educacionais do mundo, acusado de perseguição e assédio moral.

A decisão da juíza Deborah Beatriz Ortolan Inocênio Nagy, da 2ª Vara do Trabalho de Sorocaba, atende aos pedidos feitos em ação civil pública pelo Ministério Público do Trabalho e o seu descumprimento acarretará multa de R$ 5 mil por dia, reversível ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

O MPT instaurou inquérito após receber denúncia de uma ex-funcionária da faculdade, que relatava violentos casos de assédio moral praticados pelo diretor, incluindo xingamentos, humilhações e ameaças a funcionários. Segundo relatado, as vítimas do assédio passaram a apresentar distúrbios psíquicos, levando algumas delas, inclusive, a serem medicadas por meio de fortes remédios para tratamento mental.

A vítima ainda afirmou que viu vários colegas saírem chorando da sala do diretor e que o assédio levou funcionários a pedirem demissão do cargo. Outros relataram terem sido chamados de incompetentes, lesmas, incapacitados para o trabalho, burros e vagabundos na frente de diversos colegas, e que presenciaram humilhações, murros na mesa e palavras de baixo calão, a serem proferidas publicamente e de forma direcionada.

Além disso, nos depoimentos ficou evidente parea a Justiça que a área de Recursos Humanos tinha total consciência do que acontecia no ambiente de trabalho, já que todos os contratados foram alertados da personalidade difícil do diretor e após as demissões, os funcionários ainda alertaram o departamento sobre a conduta ilícita do chefe, mas nada foi feito a respeito. Dessa forma, constatou-se que a instituição sabia das atitudes ilegais e imorais de seus prepostos e que o assédio moral é tolerado e estimulado. 

O Ministério ainda pede que sejam julgados no mérito da ação outros pedidos, em caráter definitivo, como a imediata suspensão da prática de assédio moral por qualquer representante da Anhanguera Educacional; a criação de mecanismos internos de denúncia de casos de assédio; a formação de uma comissão juntamente com o sindicato para apurar as denúncias recebidas; a elaboração programas permanentes de prevenção ao assédio, incluindo o diagnóstico precoce do ambiente psicossocial, dentre outras medidas. Pelos danos morais coletivos causados, o MPT pede a condenação do grupo ao pagamento de R$ 10 milhões.

 

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