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De Ambev a Magalu, empresas bancam estudos de funcionários em habilidades do futuro

Inteligência emocional se torna uma das características mais buscadas por todos os setores da economia – e há escolas especializadas nisso

Startup

SÃO PAULO – Treinamentos com palestras e mais palestras sobre como melhorar o desempenho e apresentações com letras chamativas e vídeos motivacionais estão cada vez mais longe da realidade das grandes empresas.

Graduações, mestrados e MBA demandam um tempo que muitas vezes é vital para o andamento do negócio. Por isso, escolas de inovação como Conquer, Tera, Digital House e LAIOB ganham espaço em um cenário onde há necessidade de capacitar e engajar, mas de forma prática, direcionada e rápida.

Três frentes têm dominado o interesse de grandes empresas na hora de treinar seus funcionários: as chamadas habilidades de primeira camada -- como oratória, construção do perfil de liderança e inteligência emocional –, o processo de digitalização dos negócios e o incentivo à inovação.

Segundo uma pesquisa da TalentSmart, 58% do desempenho no trabalho está ligado à inteligência emocional. Por isso, esse é um dos aspectos mais buscados por empresas que contratam os serviços da Conquer, escola fundada em 2016 em Curitiba (PR), que já tem nove unidades, inclusive em São Paulo.

Companhias como Votorantim, Grupo Boticário, Nestlé, Ambev e Magazine Luiza já usaram os serviços da escola para capacitar seus funcionários e ensinar sobre aspectos de uma boa liderança, como lidar com pressão e falar em público, por exemplo.

Os cursos da escola têm duração média de seis semanas e não há testes ou provas: são propostos desafios relacionados ao negócio para incentivar a prática. Um outro diferencial é que 90% dos professores são nomes do mercado, que nunca tinham ministrado aulas antes e tem muita vivência para compartilhar.

Para Hendel Favarin, um dos sócios da Conquer, que trabalhou na consultoria PwC antes de investir na escola, todo profissional deveria ter a oportunidade de aprender além do conteúdo teórico e técnico. “Essas habilidades não são incentivadas no ensino tradicional, mas são competências fundamentais para o trabalho”, diz.

A escola foi fundada depois de uma imersão de um dos sócios no Vale do Silício para entender quais as competências mais importantes no mercado de trabalho. O mapeamento apontou frentes como inteligência emocional, perfil de liderança, produtividade e oratória. “Atualmente 30% do nosso faturamento já vem de empresas que contratam nossos serviços para capacitar os funcionários”, diz Hendel. Cerca de 15.000 já se formaram na escola.

Mundo digital

Além do desenvolvimento de competências de primeira camada, o processo de digitalização é uma das tendências mais fortes que requer capacitação urgente de mão-de-obra. Fundada na Argentina em 2016, a Digital House chegou ao Brasil em abril de 2018 com a proposta de ser um centro de formação de profissionais de alta performance para o mercado digital.

Empresas como Tivit, Twitter, Novartis, AstraZeneca Brazil e Faber Castell estão entre a lista de clientes que buscam ajuda para transformar o negócio. “Um lápis é fruto de 27 anos de espera entre a plantação de uma árvore e o resultado final. Será que esse negócio é sustentável a longo prazo?”,  questiona Lucas Silveira, Diretor de Negócios da Digital House, para ilustrar um dos desafios de seus clientes.

Isso mostra que não são só as empresas da área de tecnologia que precisam aprimorar o processo digital. “Pelo contrário, essa transformação é urgente para todos os setores. Não é à toa que em um ano treinamos 1.500 colaboradores de 40 empresas dos mais variados setores”, diz Lucas Silveira, Diretor de Negócios da Digital House.

Os cursos mais procurados envolvem cultura digital, inovação, metodologias ágeis, gestão de dados e experiência do usuário. A duração média varia de acordo com a formação desejada, mas para o público corporativo é de até dois meses. Os treinamentos para as companhias já respondem por 40% do faturamento da escola.

Na Tera, escola com sede em São Paulo, a principal ideia é ser uma das soluções para a crise de talentos e empregos na economia digital diminuindo o gap de formação tradicional. Segundo Leandro Herrera, fundador e CEO da Tera, a escola tem o papel de ajudar as empresas a identificarem o que é melhor para a organização. “Entendemos as oportunidades e dores de cada cliente, construímos a solução mais adequada: seja o desenvolvimento de talentos digitais ou nos tornando um parceiro de longo prazo no processo de transformação digital da empresa”, afirma.

A expectativa é que até o fim deste ano cerca de 3.000 pessoas sejam treinadas pela Tera. Entre elas funcionários de companhias como Banco Itaú, Banco Votorantim, Sage Brasil, OLX e Stone Pagamentos.

O curso mais procurado na Tera é o de Digital Product Leadership. “É uma jornada que sintetiza toda a trajetória de construção e gerenciamento de um produto digital: do processo de descoberta, validação do produto e crescimento”, diz Leandro.

Viagem em busca de inovação

Mais do que falar sobre cases e dar exemplos de negócios bem sucedidos, o estímulo à inovação na fonte é a principal proposta do Grupo LAIOB – Latin America Institute of Business. Desde 2014 a instituição leva profissionais brasileiros para conhecer os principais centros de inovação do mundo. Segundo Andre Fauri, CEO do LAIOB, os destinos mais requisitados atualmente são o Vale do Silício, nos Estados Unidos, e Israel.

“Levamos executivos, geralmente presidentes e diretores, para uma semana de imersão em empresas como Google, Tesla e LinkedIn, e universidades como Stanford e Berkeley. Acreditamos que isso faz com que o profissional conheça a fundo todo o ecossistema de inovação”, diz André.

Empresas como Mercedes-Benz, Bradesco e Andrade Gutierrez já utilizaram os treinamentos do LAIOB. “Formamos cerca de 1.500 profissionais por ano. As empresas querem formação acelerada e acreditamos que a prática é a melhor forma de aprendizagem”, finaliza o CEO.

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