Economia: você está preparado para defender a sua opinião?

Raciocínio analítico e capacidade de comunicação são diferenciais em carreira onde é preciso ter opinião e saber defendê-las

SÃO PAULO – Para quem tem facilidade com matemática, gosta de se manter informado sobre o que está acontecendo no seu país e no mundo, adora pesquisa, mas não sabe ao certo se quer seguir a área acadêmica, a carreira de economista pode ser uma boa opção profissional.

Com duração de quatro a cinco anos, dependendo do período em que o aluno estuda, o curso é, sem dúvida, um dos mais completos. A grade curricular da maior parte das escolas, além dos tópicos de Economia, traz disciplinas bastante variadas, como Sociologia, História, Direito, Contabilidade, Ciência Política, Estatística, Cálculo e Matemática Financeira.

Mas, como era de se esperar, o currículo vem se adaptando de forma a incluir temas correntes, como, por exemplo, Economia de Energia, Economia do Meio Ambiente e Economia de Tecnologia. Mais ainda, pode se constatar uma tendência bastante clara de aumentar a importância das matérias mais quantitativas, o que se verifica com a inclusão de temas específicos na área de Econometria, Análise de Investimentos etc.

Do público ao privado

Antes da década de 80, eram poucos os estudantes que viam no curso de Economia sua primeira opção de carreira, o que pode ser atribuído, em parte, à falta de entendimento da profissão, mas também à amplitude do currículo.

Aqueles que gostavam das matérias de Ciências Exatas acabavam optando pelas carreiras de Engenharia, Ciência da Computação, ou até mesmo Matemática e Física. Por sua vez, quem se sentia atraído pelas Ciências Sociais acabava optando pelo Direito, Sociologia, Ciência Política, etc. Muitos dos que não tinham uma definição clara partiam para Administração de Empresas.

Esta situação mudou com o agravamento da crise econômica, durante a década de 80 e início da década de 90, pois o setor privado passou a contratar economistas como forma de melhorar seu planejamento financeiro. Do ponto de vista dos estudantes, a maior evidência dos economistas como “formadores de opinião” acabou tornando a carreira mais visível, assim como despertou em muitos jovens o interesse de entender o que estava acontecendo com o nosso País.

Mas, afinal o que estuda o economista?

A área de atuação dos economistas vem se expandindo com o passar dos anos, sobretudo, desde que o setor privado passou a se interessar mais por estes profissionais. Até a década de 70, o grande empregador era o setor público, e os profissionais atuavam notadamente na área de pesquisa, ou em autarquias ou órgãos governamentais ligados à condução da política monetária e fiscal do Governo.

Desde então muito mudou, com o setor público perdendo espaço como empregador e os economistas atuando em áreas que vão desde aos institutos de pesquisa, grandes indústrias, empresas de consultoria e no mercado financeiro como um todo.

Em relação ao mercado de capitais, vale mencionar o crescimento da chamada Economia Ambiental, na qual bens que compõem o nosso meio ambiente, como florestas e recursos hídricos, são tratados como commodities e, portanto, negociadas no mercado. O ramo de consultoria também vem crescendo rapidamente, tanto na prestação de serviços na área tributária, como na área de gestão de investimentos.

Competição intensa de outras carreiras

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Assim como na maior parte das profissões, a necessidade de constante aperfeiçoamento reflete a maior competição no mercado de trabalho, de forma que investir no aperfeiçoamento dos conhecimentos através de cursos de pós-graduação é uma boa opção.

Porém, é preciso pesar bem a escolha e o objetivo que se pretende alcançar. Se sua intenção não é atuar na área de educação ou ensino, investir em um curso de pós-graduação strictu sensu é apenas uma das alternativas a ser considerada. Não só estes cursos são mais longos – um curso de mestrado tem duração média de dois anos e um de doutorado chega a durar cinco anos -, como enfatizam a visão acadêmica.

Para quem se interessa em melhorar seus conhecimentos nas áreas de gestão de empresarial e de investimentos, os cursos de pós-graduação lato sensu são indicados. Além de mais curtos, o que permite o retorno mais rápido ao mercado de trabalho, estes cursos têm um enfoque mais administrativo e aplicado. Têm também contribuído para uma maior competição no mercado, visto que possibilitam que profissionais de outras carreiras (ex. Engenharia, Administração, Contabilidade) disputem com os economistas uma vaga no mercado de trabalho.

Comunicação e raciocínio analítico

A globalização veio ampliar as áreas de interesse dos economistas, que agora não podem mais concentrar sua atenção apenas na realidade do país ou região onde vivem. É preciso estar informado sobre tudo o que acontece no mundo todo. Afinal, a revisão de crescimento do PIB da China pode, sim, ter repercussões na economia brasileira.

Assim, um dos desafios do novo economista é se manter informado sobre o que acontece mundialmente todo o tempo, e aqui se fala da situação política e econômica de países e empresas. Mais do que se informar, o economista precisa saber analisar o impacto dos vários eventos na sua realidade, o que exige capacidade de raciocínio lógico.

Porém, muitas vezes é preciso quantificar este impacto, e é por isso que familiaridade com números é fundamental. Sem ela, fica difícil o economista emitir uma opinião relevante sobre um determinado evento ou situação, o que acaba restringindo sua área de atuação. Ter uma opinião e saber defendê-la é importante, mas sem capacidade de comunicação é bastante provável que pouca gente esteja disposta a ouvir. Se você agregar estas qualidades, certamente será um profissional bem-sucedido.