Doença do mau humor pode prejudicar carreira; esteja atento aos sintomas

"O mau humor, por si só, não é indicativo de doença nenhuma, embora em geral acompanhe a distimia", diz especialista

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SÃO PAULO – Apesar do nome popular – doença do mau humor -, a distimia diz respeito a um quadro de depressão leve, mas prolongado, que pode durar anos. O mau humor é apenas um de seus aspectos.

“O mau humor, por si só, não é indicativo de doença nenhuma, embora em geral acompanhe a distimia”, explica o vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Luiz Alberto Hetem, que calcula que 3% da população sofra com a doença.

A distimia também não pode ser confundida com a depressão. Um dos sinais da doença é a incapacidade de sentir prazer nas pequenas alegrias do dia-a-dia, nas atividades realizadas. “A pessoa com distimia faz o que tem que ser feito, mas sempre encara tudo como um dever”, afirma.

Carreira prejudicada

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Embora dê conta do trabalho, a carreira de quem sofre com o problema pode ser prejudicada. Por conta da falta de ânimo e de vontade para realizar as atividades, o profissional sente que se desgasta demais, que despende um esforço maior do que os outros. “No fundo, ele sabe que poderia render mais”, diz Hetem.

O desânimo é crônico, mas não se manifesta todos os dias. “Ele está presente na maior parte dos dias, mas, vez ou outra, a pessoa se sente feliz, o que pode ser resultado de um evento externo positivo, ou simplesmente ela acordou mais feliz”.

Com o mau humor, a apatia ou o desânimo crônico, um profissional que sofre com a doença pode pôr tudo a perder com suas reações e atitudes no relacionamento com o próximo – com o chefe, os colegas, os clientes e os fornecedores, por exemplo. Além disso, pode não conseguir exercer uma função de liderança.

“Mas como a doença pode se apresentar no início da idade adulta, a pessoa tende a escolher a profissão e as funções que irá desempenhar de acordo com seu perfil. Pode até ser que ela chegue a um cargo de liderança, mas acredito que daria preferência a atividades mais isoladas”, opina Hetem.

Como não se pode generalizar, é preciso lembrar que nada impede um profissional de ser um ótimo líder ou de alcançar o sucesso que almeja.

Fatores

A distimia, ainda hoje, é considerada uma doença multifatorial. Ela pode ter origem em um acontecimento dramático, como a perda de um ente querido; em pequenos aborrecimentos do dia-a-dia; no tipo de convívio estabelecido com a família; entre outros fatores.

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“Supondo que você estava fazendo ginástica e, em um movimento brusco, sofreu uma distensão ou traumatismo mais agudo. Passado algum tempo, você vai se lembrar exatamente de quando aquilo aconteceu e como. Já no caso de uma tendinite, é muito difícil identificar quando o problema começou. Assim é a distimia”, explica.

Quanto aos sintomas, é importante estar atento a eles, mas, muitas vezes, a pessoa que sofre de distimia não percebe o problema, que é perceptível àqueles que com ela convivem. Confira quais são eles:

  • Mau humor (mas isso depende da personalidade da pessoa);
  • Desinteresse pelas atividades;
  • Desânimo, até para ir a festas, por exemplo;
  • Sensação de que sempre precisa se esforçar mais que os demais para realizar determinada tarefa;
  • Irritabilidade e falta de paciência;
  • Tristeza (sem que nada tenha acontecido);
  • Negativismo, pessimismo.

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Há quem diga também que a pessoa com distimia é mais intolerante, tem espírito reclamão e mania de perfeição. Outros afirmam que ela se mostra menos sociável e tem baixa auto-estima. Como no caso do mau humor, tudo depende da personalidade do indivíduo.

Tratamento

A boa noticia é que existe cura para a distimia. O tratamento envolve o uso de anti-depressivos e sessões de psicoterapia. “Em 60, 90 dias, é possível que o paciente já se sinta melhor, mais feliz e disposto, porém, para de fato resolver o quadro, o tratamento deve ser estendido por alguns anos”.

“As pessoas que suspeitam que algum amigo, conhecido ou parente sofra de distimia devem recomendar a ele que procure ajuda especializada. Se não for diagnosticada, a doença nunca será tratada”, garante o vice-presidente da ABP.

Mas não se deve procurar tratamento apenas porque afeta a carreira. Imagine viajar a um lugar paradisíaco e não ver graça nenhuma nele; ou ganhar um presente e não se sentir feliz. É preciso viver a vida e enxergar tudo de bom que ela tem a oferecer: as surpresas, as vitórias, o aprendizado que vem das perdas, a amizade e o amor.