Dia da Consciência Negra: população negra representa 46,6% da PEA

Entretanto, segundo levantamento do Dieese, os negros e pardos respondem por 55,3% dos desempregados

SÃO PAULO – De acordo com um estudo divulgado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) nesta sexta-feira (17), os negros e pardos representam 46,6% da população economicamente ativa (PEA) das seis regiões metropolitanas pesquisadas.

Em percentual, Salvador (87%) apresenta a maior porcentagem de negros na PEA, seguido de Recife (76,7%), Brasília (64,9%), Belo Horizonte (56,9%), São Paulo (36,2%) e Porto Alegre (13,6%).

Negros desempregados somam 55,3%

Considerando o total de desempregados nessas mesmas regiões, a porcentagem média de participação da população negra sobe para 55,3%. Novamente o destaque fica com Salvador, cujos negros e pardos representam 90,3% dos desempregados.

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A região metropolitana de Recife vem em segundo lugar, com 79,2% de participação dos negros entre os desempregados. Na seqüência fica Brasília (68,4%), Belo Horizonte (63,7%), São Paulo (43,8%) e Porto Alegre (19,3%).

Situação vulnerável

Ainda segundo o levantamento, que revela que os negros correspondem a 45% da população brasileira, a parcela da população negra que se insere no mercado de trabalho em situação vulnerável (assalariados sem carteira assinada, autônomos para o público, trabalhadores familiares não-remunerados ou empregados domésticos) é maior do que entre os não-negros.

Em Belo Horizonte, os percentuais são de 36,6% para os negros e 28% para os não-negros. No Distrito Federal, 33,5% e 25,6%; em Porto Alegre, 37,5% e 27,6%; em Recife, 41,3% e 33,7%; em Salvador, 42,7% e 27,1%; e em São Paulo, 39,7% e 29,9%.

Rendimentos inferiores

Outro dado que indica a dificuldade enfrentada pelos negros no mercado de trabalho refere-se ao rendimento: na média de 12 meses (entre agosto de 2005 e julho de 2006), os rendimentos desta população foram sempre inferiores.

Para se ter uma idéia, nas regiões metropolitanas de Salvador e de São Paulo, o rendimento da população negra chegou a corresponder, em média, a 51,8% e 45,7% do montante recebido pelos não-negros.

Sobre o estudo

Por conta da comemoração do Dia da Consciência Negra, que ocorrerá na próxima segunda-feira (20), o Dieese lançou um trabalho composto de dois estudos elaborados com informações coletadas pela Pesquisa Mensal de Emprego e Desemprego (PED).

A segunda parte da pesquisa, que trará dados referentes a 2006 e pontuará os efeitos diferenciais de escolaridade sobre o desemprego, a ocupação e os rendimentos dos afro-brasileiros na estrutura produtiva, será divulgada na próxima semana.