Desigualdade de renda do trabalho cai 10,1% em dezessete anos

Ipea revela que queda se deveu à elevação dos rendimentos dos mais pobres e à queda das remunerações dos mais ricos

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SÃO PAULO – Entre 1990 e 2007, a desigualdade da renda vinda do trabalho dos brasileiros caiu 10,1%. Desde 1990, com exceção do ano de 1993, ocorre queda praticamente contínua, de acordo com estudo divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

“A redução esteve condicionada tanto pela elevação dos rendimentos na base da pirâmide social brasileira como pela diminuição real nas remunerações dos ocupados nos principais postos de trabalho no País”, descreve o estudo “A distribuição funcional da renda no Brasil: situação recente”.

Rendimento mensal da população

No período de 1990 a 2007, o rendimento médio mensal real dos 10% mais pobres cresceu 44,4% – de R$ 67 para R$ 97 no período analisado. Por outro lado, a renda dos 10% mais ricos caiu 9,8% – de R$ 4.559 para R$ 4.114, de acordo com a tabela abaixo:

Brasil: evolução do rendimento médio mensal real dos ocupados com 10 anos e mais de idade por decil selecionado entre 1990 e 2007 (real de 2007)
Faixa de rendaRendimento/90Rendimento/07Diferença
10% mais pobresR$ 67R$ 9744,78%
20% mais pobresR$ 202R$ 23616,83%
10% mais ricosR$ 4.559R$ 4.114-9,76%
1% mais ricosR$ 13.604R$ 11.878– 12,69

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Fonte: Ipea

Desigualdade

Os dados revelam que apenas em 2011 o rendimento do trabalho deve voltar a ter a mesma representatividade na renda nacional de 1990, quando era de 45,4%. A participação dos salários na renda nacional passou por quatro grandes fases nos últimos 17 anos. A primeira foi entre 1990 e 1996, quando caiu 15,2%, enquanto de 1996 até 2001 houve aumento de 5,4%.

A terceira fase foi de nova queda na participação do rendimento do trabalho na renda nacional, de 3,1% entre 2001 e 2004. A partir de 2005, por sua vez, iniciou-se a última fase, com a expansão da parcela do trabalho na renda nacional de 4%.

Impostos e investimentos

O estudo, que tinha como tema a renda nacional, ainda destacou o uso dos impostos arrecadados pelo governo. O resultado identificado foi que, entre 2000 e 2007, por exemplo, o pagamento de juros do endividamento público respondeu por cerca de 7% ao ano da renda nacional.

Para o mesmo período de tempo, a soma dos gastos da União com saúde, educação e investimentos correspondeu a somente 43,8% do total das despesas com juros, equivalente a quase 54% da renda nacional em 2006 (R$ 2,370 trilhões).