Riqueza

Desenvolvedor do Vale do Silício se torna bilionário com enfeites tecnológicos

Jay Paul virou bilionário criando alguns dos campi corporativos mais procurados do Vale do Silício

São Paulo – A obra em construção no número 181 da rua Fremont, no centro de São Francisco, é lugar da fundação mais profunda já construída na história da cidade. A base suportará uma torre de 54 andares, a qual, quando estiver pronta em 2016, será o segundo prédio mais alto na área da Baía de São Francisco.

A estrutura é a primeira grande propriedade desenvolvida em São Francisco pelo magnata imobiliário Jay Paul, que virou bilionário criando alguns dos campi corporativos mais procurados do Vale do Silício. Entre seus inquilinos estão a Hewlett-Packard Co., a Microsoft Inc. e a Amazon.com Inc.

“Ele fez uma bolada antecipando aonde o mercado iria”, disse Garrick Brown, diretor de pesquisa da Cassidy Turley. “Ele sempre parece estar dois passos à frente. O senso de oportunidade é tudo no mercado de propriedades comerciais”.

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Tamanha presciência propulsionou Paul até a elite dos desenvolvedores na área da Baía, junto aos bilionários John Sobrato, Carl Berg, John Arrillaga e Richard Peery. O homem de 66 anos tem uma fortuna pessoal de pelo menos US$ 1 bilhão, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, e nunca apareceu em um ranking internacional de riqueza. Ele não quis comentar sobre seu patrimônio líquido.

Paul ajudou a redefinir o parque de escritórios do Vale do Silício, construindo desenvolvimentos exclusivos com comodidades como spas e instalações esportivas, as quais se converteram em itens básicos dos campus das empresas mais valiosas da indústria.

Ele tornou-se proeminente construindo o Pacific Shores Center, um campus de escritórios de 158.000 metros quadrados em Redwood City, Califórnia, com um anfiteatro de 1.500 assentos ao ar livre, campos esportivos e uma parede de 7,6 metros para escalada. O projeto foi completado em 2002 e vendido a mais de US$ 800 milhões quatro anos depois.

Demanda disparada

Colocar quadras de vôlei e outros atrativos oferecidos por empresas de tecnologia em campi corporativos para atraírem e reterem talentos rendeu. A demanda por espaço prêmium no Vale do Silício disparou desde 2011, e os aluguéis comerciais lá estão 57 por cento acima da média nacional, segundo a corretora imobiliária Colliers International.

O mercado está mais quente ainda em São Francisco, onde Paul está fazendo sua primeira incursão com o prédio da rua Fremont 181. A cidade é o mercado de escritórios de melhor desempenho dos EUA. Empresas de tecnologia vêm quebrando recordes de aluguéis há quatro anos, levando a ocupação de escritórios ao máximo histórico de 6.503.212 metros quadrados no primeiro trimestre, segundo a CBRE.

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As origens da fortuna de dez cifras de Paul datam de mais de quarenta anos atrás, quando o natural de Rhode Island foi enviado ao sul da Califórnia para resgatar os investimentos problemáticos do pai em bancos de poupança falidos.

Ele resolveu a disputa com os credores do seu pai em 1975 e formou a Jay Paul Co., que ele utilizou para comprar escritórios baratos em lugares como Long Beach, Califórnia. Nas seguintes quatro décadas, a empresa de capital fechado desenvolveu mais de 743.224 metros quadrados em propriedades comerciais, segundo seu site.

Perfil baixo

Além da sua empresa imobiliária, os ativos de Paul incluem uma mansão em São Francisco comprada por US$ 28 milhões em 2012, metade do preço de lista de US$ 55 milhões que tinha cinco anos antes. A propriedade se alça sobre as casas dos bilionários Gordon Getty e Larry Ellison no prestigioso distrito de Pacific Heights.

Diferentemente de seus vizinhos mais famosos, Paul mantém um perfil baixo e raramente dá entrevistas.

“Ele é uma pessoa muito discreta”, disse Phil Mahoney, vice-presidente executivo da Cornish Carey Commercial Newmark Knight Frank e corretor de Paul desde 1985. “Ele só quer fazer o que ele é bom fazendo, ser deixado em paz e desfrutar da sua vida de forma privada. É a antítese de Donald Trump”.