Desemprego: 200 milhões de pessoas estão fora do mercado de trabalho, diz OIT

Crise de emprego afeta grupos mais vulneráveis e exige atenção dos governos, diz relatório da OIT e OCDE

SÃO PAULO – A desaceleração da economia mundial tem afetado os níveis de emprego nos mais diversos países. Para se ter uma ideia, a expectativa é que hoje cerca de 200 milhões de pessoas estejam desempregadas e que este número possa aumentar ainda mais até o próximo ano nos países que integram o G20 (grupo formado por nações de economia avançada e emergente).

De acordo com o relatório divulgado nesta segunda-feira (26) pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), tal panorama exige atenção redobrada, bem como a adoção de medidas imediatas pelos governos.

Expectativas
Segundo o documento, a criação de emprego está aquém da desejada e tem sido insuficiente para absorver a massa de desempregrados e subempregados. O levantamento aponta ainda que, se as taxas de crescimento do emprego continuarem no nível atual de 1%, não será possível recuperar os 20 milhões de empregos que os países do G20 perderam desde que a crise de 2008 começou.

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Além disso, o futuro não se mostra nada promissor, já que, de acordo com o relatório, a escassez de trabalho possa aumentar para 40 milhões até o fim de 2012. “Devemos atuar agora para reverter a desaceleração no crescimento do emprego e resistir à perda de postos de trabalho. É absolutamente indispensável dar prioridade ao trabalho decente e investir na economia real”, afirmou em comunicado o diretor-geral da OIT, Juan Somavia.

Desafios
Entre os principais desafios descritos por Somavia em sua declaração, estão a promoção de empregos de qualidade e a redução da informalidade.

Para ele, os países que investem em infraestrutura devem priorizar as contratações. Já nos demais, onde os recursos são mais apertados, o foco deve se manter na adoção de medidas e de subsídios que possam favorecer os grupos mais vulneráveis.

Retomada
Segundo os dados da OIT e OCDE, uma retomada só seria possível mediante uma mudança do quadro atual. “O emprego deveria crescer a uma taxa anual de pelo menos 1,3% para chegar a 2015 com um nível similar ao registrado antes da crise. Seriam 21 milhões de novos empregos por ano”, explica o diretor-geral da OIT.

Para Somavia, apenas dessa forma seria possível recuperar os postos de trabalho perdidos desde 2008 e absorver o aumento da população em idade laboral.

O problema, no entanto, é que o relatório aponta que tal crescimento ainda não está ao alcance dos governos em questão, já que a expectativa é que o mesmo tenha uma taxa de crescimento de apenas 0,8% até o final de 2012 – o que impede o retorno aos índices anteriores a crise.