De mudança: saiba como pedir demissão e deixar as portas abertas para voltar

Jogo de cintura e postura são fundamentais para uma saída profissional, que garante retorno à empresa

SÃO PAULO – Se ‘em terra de cego, quem tem um olho é rei’, em tempos de escassez de mão de obra e aquecimento do mercado de trabalho, a situação não é muito diferente. Para se ter uma ideia, não é raro se deparar hoje com empresas que disputem quase que ‘a tapa’ os bons profissionais. Portanto, fique atento! Mudar de emprego pode ser uma boa alternativa para progredir profissionalmente, mas apenas se o trabalhador souber a maneira certa de pedir demissão. Afinal, manter as portas abertas é sempre um bom negócio para quem está circulando por aí.

A advogada trabalhista e previdenciária do Cenofisco, Rosania de Lima Costa, é uma das profissionais que acredita nesta afirmação. Para ela, o ideal é que os profissionais saibam se portar em uma demissão. “É interessante que ele mostre que gosta do ambiente de trabalho atual, mas que está em busca de novas oportunidades e recebeu uma proposta interessante. As críticas à gestão atual não são apropriadas para quem deseja deixar as portas abertas”, diz a advogada.

Planejamento
A saída sempre deve ser planejada com antecedência e anunciada apenas quando tudo já estiver formalizado com a nova empresa. Os comentários com os colegas de trabalho devem ser evitados, a fim de evitar um clima desagradável na organização.

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“Um pedido de demissão sempre deve ser feito de forma elegante e ética. Os profissionais devem evitar falar sobre quaiquer coisas que tenham ocorrido na empresa e que o desagradaram, especialmente para a chefia da gestão”, diz a diretora-executiva da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Izabel de Almeida.

Para ela, nestas situações, o mais importante é manter o controle emocional e apresentar postura, mas sem deixar transparecer possíveis ressentimentos.

Emprego suspenso
Infelizmente, alguns processos seletivos acabam sendo suspensos por tempo indeterminado, especialmente nas multinacionais. Nestas ocasiões, é importante saber como agir. Afinal, a experiência de ser convidado para integrar uma nova equipe e ser informado, aos ‘45 minutos do segundo tempo’, que aquela oportunidade tão esperada foi por água abaixo não costuma ser nada agradável.

Mas pior mesmo, é quando a suspensão ainda compromete o emprego atual. “Se uma empresa suspende a vaga após ter informado o trabalhador que ele foi admitido, ela pode ser processada por danos morais, já que o trabalhador apenas pediu demissão para poder começar no novo emprego”, diz Rosania.

Contudo, quando o prejuízo já foi causado, tentar retornar ao emprego anterior pode ser uma boa solução, especialmente se a saída do funcionário tiver sido informada de modo adequado à chefia. “Se o trabalhador possui uma boa relação na empresa, as chances dele retornar são maiores. Entretanto, é preciso atenção: algumas organizações podem possuir uma política interna de não recontratação”, informa a advogada.

Avaliação do mercado
E engana-se quem pensa que o mercado pode avaliar com maus olhos tal retorno à empresa. De acordo com Izabel, isso demonstra que o profissional deixou um bom histórico na empresa anterior e, por isso, foi recontratado. “Ser convidado a retornar é uma prova de competência e profissionalismo”, diz a diretora da Ricardo Xavier.

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Além disso, vale lembrar que, para uma empresa, é interessante ter um profissional que já possui conhecimento das atividades executadas pela corporação. “Quando se conhece o trabalhador, os treinamentos não se fazem necessários e a contratação acaba saindo mais barata para o empregador”, diz Rosania.