Cuidado com emocional: “rachar de estudar” pode atrapalhar vestibulando

Segundo psicólogo, foco tem que ser o estudo, não é possível anular outros aspectos importantes da vida

SÃO PAULO – Sensação de dever não cumprido, indefinição sobre o futuro e clima de competitividade. Não há pessoa que consiga lidar com todos estes aspectos durante os 12 meses do ano. E é por este motivo que não chega a ser surpreendente o fato dos alunos de cursinho desenvolverem transtornos e o estresse.

Mas, de acordo com o coordenador do Popa (Programa de Orientação Psicológica do Anglo), Marcelo Gabriades, 90% dos alunos desenvolvem problemas por causa de uma desorganização na vida, a qual não tinham anteriormente. “O que a gente compreende é que há algum desajuste nos conjuntos de base”.

“Neste caso, que afeta a maioria, é mais fácil de flexibilizar”, afirmou. O psicólogo explicou que esses conjuntos são o estudo, a família e outras instituições, em geral.

Importância do estudo

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De acordo com Marcelo, o que acontece é que, quando a pessoa começa o cursinho, muitos dizem que, a partir daquele momento, ela terá que “rachar de estudar”. “É claro que o foco tem que ser o estudo, mas não é preciso anular outros aspectos tão importantes para o equilíbrio psicológico”, afirmou, dando como exemplo a família e o lazer para os demais aspectos.

Então, depois dessa cobrança pelo estudo, o aluno começa a se empenhar de uma maneira que não fazia anteriormente. “As pessoas sabem que, na escola, existem diversas chances, mas no cursinho não funciona do jeitinho brasileiro. O critério são os melhores em termos de desempenho”.

Ele ainda disse que o que contribui para esse desequilíbrio nos conjuntos de base é a cobrança por resultados. “Está errado, tem que se cobrar pelo empenho no processo”.

Problema mais sério

Enquanto 90% dos casos são referentes a uma desorganização da vida, outros 10% já estão relacionados com transtornos de ansiedade e de humor. “Como já dizia Guimarães Rosa: é natural as pessoas não estarem sempre prontas. Elas afinam e desafinam. Mas quando a desafinada persiste, leva a um quadro mais preocupante”.

Nestes casos, o centro de orientação do cursinho indica que o aluno procure outro profissional para acompanhamento. Já quando o problema é no desequilíbrio de conjuntos de base, a orientação é buscar saber onde está esse descompasso e consertá-lo.