CPA-10, CPA-20 e CEA: veja como obter as certificações para atuar no mercado financeiro

Veja relatos de 3 profissionais sobre a preparação para enfrentar as provas da Anbima

Martha Alves

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Quem busca ingressar no mercado financeiro na área de distribuição de investimentos em bancos, plataformas, corretoras ou gestoras de investimento precisa obter uma das certificações concedidas pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). São elas: CPA-10, CPA-20 ou CEA.

A CPA-10 é exigida para a distribuição de produtos de investimentos aos clientes de varejo das instituições financeiras. Segundo Tânia Raquel dos Santos Amaral, coordenadora de conteúdo da área de certificação da Anbima, esta certificação costuma ser buscada por universitários que estão entrando no mercado financeiro ou profissionais de instituições financeiras que precisam dela para mudar de área para o segmento de distribuição.

Tânia explica que a CPA-20 é como se fosse uma espécie de evolução da CPA-10, pois permite a distribuição de investimentos para clientes de alta renda, como private e corporate. As duas certificações são obrigatórias para o exercício das atividades. “Os candidatos, às vezes, pulam a CPA-10 após olhar o programa [de estudo] e perceber que se estudarem um pouco mais podem conquistar a CPA-20.”

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Já a CEA engloba as atuações das certificações CPA-10 e CPA-20 e costuma ser procurada por profissionais que desejam se tornar especialistas em investimentos. Com essa certificação, eles podem desde recomendar produtos de investimentos para clientes de diferentes segmentos a assessorar gerentes de contas. Ela é uma das certificações obrigatórias para quem pretende trabalhar como Consultor de Valores Mobiliários.

Para conseguir uma das três certificações, o profissional precisa comprovar conhecimento sobre os produtos de investimento por meio de provas aplicadas pela Anbima. Para se candidatar não é exigida experiência no mercado financeiro.

A Anbima não oferece curso preparatório para as provas, mas disponibiliza em seu site conteúdo para quem pretende estudar por conta própria, como uma apostila em PDF para CPA-10. Mas boa parte dos candidatos costumam adquirir um dos cursos preparatórios online de escolas de treinamento e utilizam os simulados grátis disponíveis na internet.

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As provas para CPA-10 e CPA-20 são presenciais e aplicadas diariamente. Para ter acesso a elas, basta o candidato pagar a taxa de inscrição e escolher o local e horário do teste. A prova para CPA-10 custa R$ 250, para associados; e R$ 300, para o público geral.

A da CPA-20 é mais cara: custa R$ 360 para associados; para o restante do público sai por R$ 430. Dos 61.289 inscritos que fizeram a prova da CPA-10 e 76.408 da CPA-20, apenas 43% conseguiram ser aprovados em 2022, segundo dados da Anbima.

Já a prova da CEA é realizada duas vezes por semana e os candidatos devem pagar a taxa de inscrição que custa R$ 520 para associados e R$ 630 para o restante do público. Ela é mais difícil porque exige conhecimento de cálculo e, no ano passado, foram aprovados 39% dos 23.499 candidatos.

A coordenadora de conteúdo da área de certificação da Anbima explica que para ser aprovado o candidato deve acertar 70% da prova, que tem número de questões e tempo de duração diferentes. Quem prestar para a CPA-10 tem duas horas para responder 50 questões. Já tempo aumenta para duas horas e meia no teste da CPA-20, que possui 60 perguntas. No exame da CEA, o candidato tem três horas e meia para responder 70 questões.

De ex-vigilante a agente de negócios

Agente de negócios há cinco meses em uma agência do Itaú, em Curitiba, Fábio Roberto Miranda, 40, conquistou a CPA-10 em junho do ano passado. Trabalhava como vigilante na agência bancária e, incentivado pela gerente, buscou a certificação e entrou na faculdade de Administração de Empresas.

Miranda conta que nunca sonhou em trabalhar em banco, mas, com 39 anos, abraçou a oportunidade que apareceu. Antes de atuar como agente de negócios, ele também fez estágio na agência bancária. “Estou aprendendo muita coisa e gostando da área”, disse ele, que pretende tirar novas certificações. “Quem sabe até o final do ano eu não tire a [certificação] CEA direto.”

Fábio Roberto Miranda, 40, conquistou a CPA-10 em junho de 2022
Fábio Roberto Miranda, 40, conquistou a CPA-10 em junho de 2022

Apesar do CPA-10 ter aberto as portas para Miranda na carreira no mercado financeiro, ele diz que hoje se arrepende de não ter tirado a certificação CPA-20 direto porque aumentaria poucas matérias para estudar. “Como eu não tinha nenhum conhecimento bancário na parte de investimento, eu optei pela CPA-10”, explica.

O agente de negócios diz que estudou por aproximadamente 45 dias para prestar a prova usando o material do curso preparatório online que comprou. Também fez simulados. “Se a pessoa estuda bem e faz bastante simulado, tenho certeza que vai passar [na prova].”

Percalços da pandemia

Também ex-vigilante de banco, Nadson Damasceno Gonçalves, 30, precisou esperar pelo enfraquecimento da pandemia de Covid-19 para conseguir duas certificações: CPA-10 e CPA-20. Faz sete meses que ele atua como gerente de atendimento de pessoa física no Santander, em Altamira, no Pará.

O bancário conta que foi a gerente da agência em que trabalha que percebeu que ele tinha aptidão para lidar com o público e sugeriu que tirasse a certificação CPA-10 para mudar de posição na empresa. “Voltei para casa, pesquisei o que era e foi paixão à primeira vista. Devorei aquele assunto.”

Gonçalves diz que começou a estudar com o material gratuito que a Anbima disponibiliza, mas acabou comprando um curso preparatório online. Ele conseguiu ser aprovado na prova da certificação, no final de 2019. “[Na época] também iniciei a faculdade de Administração, estou no sétimo semestre.”

No começo de 2020, iniciou o processo seletivo para uma vaga no Santander, mas todas as contratações foram canceladas por causa da pandemia. Gonçalves teve que esperar nova oportunidade, mas, quando ela surgiu, estava na estaca zero porque o banco passou a exigir CPA-20.

Novamente, ele adquiriu um curso preparatório online e ficou três meses estudando para a certificação. Desta vez, lembra que o processo foi mais árduo porque teve que rever o que aprendeu e ainda estudar novas matérias para conseguir ser aprovado. O gerente conta que não podia ser reprovado porque a prova era cara e, com o salário de vigilante, não tinha dinheiro para pagar uma segunda tentativa.

Como se não bastasse todas a dificuldade da prova, ele ainda teve que juntar dinheiro para pagar o teste e o transporte a Belém, onde seria feito o exame – mais de 800 km de distância de sua cidade. “Quando olho para trás, vejo que foi muito suado. Mas, da forma como foi, sinto muito privilegiado pelas muitas pessoas que me ajudaram.”

Gonçalves conta que está se preparando para tirar da certificação CEA porque quer crescer na carreira, embora ainda esteja confuso se pretende migrar para a área de investimentos ou continuar na parte comercial. “A CEA não é obrigatória, mas ela dá um peso e uma boa bagagem se eu optar em ser especialista de investimento.”

Demissão para obter certificação CEA

O analista de B2C da Avenue Corretora, Bruno Chiamulera, 30, pediu demissão da empresa em que trabalhava, em 2022, para se preparar para ingressar no mercado financeiro. Ele conta que estava descontente com a transferência do departamento do comercial para o administrativo e, incentivado pelo irmão que atua no segmento, decidiu que era hora de mudar.

Após deixar o emprego, Chiamulera diz que durante quatro meses focou 100% nos estudos para fazer a prova de certificação CEA. Ele comprou um curso preparatório online para estudar e admite que fez mais de cem simulados antes do exame. “É uma questão de persistência, você faz o simulado e não lembra de determinado termo, anota e faz [o simulado] de novo.”

Bruno Chiamulera, 30, analista de B2C da Avenue Corretora

Ele revela que mesmo com tanta dedicação aos estudos foi reprovado duas vezes na CEA e só na terceira tentativa conseguiu ser aprovado. Ele lembra que, na segunda vez, teve uma crise nervosa e queria sair do local porque não aguentava mais fazer a prova.

Um mês depois de ser aprovado na CEA, foi contratado pela corretora em que trabalha. O analista avalia que fez uma boa escolha pela CEA pela diferenciação que a certificação dá. “Se você puxar os números, não existem muitas pessoas com essa certificação”, diz.

O analista de B2C planeja fazer no futuro a certificação CFP, uma das mais cobiçadas do mercado financeiro. Mas, como atualmente trabalha como associado ao mercado nos Estados Unidos, Chiamulera precisa antes disso ter certificações americanas. “Você tem que ir sempre buscando diferenciais no mercado e eu enxergo que a certificação é um diferencial que abre portas.”

Martha Alves

Jornalista e Mestre em Comunicação. Foi repórter nos jornais Folha de S. Paulo e Agora São Paulo e acumula experiência em comunicação corporativa