Com quase 35 mil novas vagas, nível de emprego tem o pior março desde 2003

Na análise mensal foi registrada maior alta do ano, mas, mesmo assim, resultado é o pior para o mês em seis anos

SÃO PAULO – Com a criação de 34.818 postos de trabalho, o emprego formal cresceu 0,11% em março em relação ao mês anterior. Apesar de ser o melhor resultado mensal do ano, representou o pior março desde 2003, quando foram registrados 21.261 novas vagas com carteira assinada.

Os dados fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado nesta quarta-feira (15) pelo Ministério do Trabalho.

Com o resultado de março, a perda chega a 57.751 postos de trabalho no primeiro trimestre do ano, uma queda de 0,18% frente ao mês de dezembro de 2008. Nos últimos doze meses, no entanto, há uma alta de 2,70%, com acréscimo de 840.013 postos de trabalho.

Crescimento setorial

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Na análise mensal, dentre os oito setores de atividades econômicas, apenas a Indústria da Transformação e o Comércio apresentaram um desempenho negativo.

O setor de Serviços obteve o quarto melhor resultado para o mês da série do Caged, com a criação de 49.280 postos de trabalho, impulsionado principalmente pelos ramos de Ensino (+19.143 postos), Serviços de Comércio e Administração de Imóveis (+16.956) e Serviços Médicos e Odontológicos (+5.566 postos).

A Construção Civil, por sua vez, teve o terceiro melhor resultado para o mês de março na série da pesquisa, gerando 16.123 postos (+0,83%). O setor da Administração Pública também obteve saldo recorde para o período, com o aumento de 7.141 empregos (+0,90%).

Na outra ponta, os setores da Indústria de Transformação, com 35.775 empregos perdidos, concentrados em dez de seus 12 ramos de atuação, e do Comércio, com 9.697 demissões, são os destaques negativos.

Análise regional

Ainda segundo os dados do Caged, pela primeira vez no ano, os dois maiores estados do País voltaram a apresentar resultados positivos na criação de vagas formais – São Paulo (+34.231 postos) e Minas Gerais (+9.399), rompendo quatro e cinco meses de queda consecutiva, respectivamente.

“Em março, tivemos 15 estados com saldos positivos de emprego, com destaque para o Sudeste, que é o centro econômico do País. Pela primeira vez, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro tiveram resultados positivos ao mesmo tempo. Isso é uma prova inequívoca da recuperação econômica, ressaltou o ministro.

No conjunto das nove áreas metropolitanas, o nível de emprego ficou praticamente estável (+0,04%) no mês passado, com a geração de 5.615 postos de trabalho.

Expectativas

“Como eu já previa no início do ano, março está sendo o mês da virada. O Brasil está mostrando a força da sua economia, sobretudo de seu mercado interno. Portanto, a minha perspectiva para abril segue sendo otimista, com a recuperação também dos setores mais voltados para a exportação”, afirmou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.