Chefe mal amado, ditador, louco… Veja como entender o outro lado da história

É justamente com o chefe "cricri" que os profissionais costumam aprender mais e, por isso, ele deixa saudade

SÃO PAULO – As pessoas perdem a paciência com seus líderes. E, ainda por cima, os classificam. Existe o chefe louco, o carente, o crítico, o preguiçoso, o incompetente (que subiu de forma obscura), o que não ajuda em nada, o mentiroso, o injusto, o aproveitador, o usurpador de méritos, o mal amado… A lista não tem fim.

É verdade que, algumas vezes, os colaboradores estão cobertos de razão. Porém, eles precisam aprender a analisar o outro lado da história. Isto é, se estivessem no lugar de seus líderes, será que seriam diferente? O fato é que liderar não é tão simples quanto parece, de acordo com a consultora da Cia de Talentos, responsável pelos programas de trainee, estágio e MBA, Taís Amaral.

Analise, antes de julgar

“O que as pessoas precisam entender é que o líder tem um papel diferente daquele exercido pelo colaborador. Ele é o responsável pelo trabalho de toda a equipe”, explica a especialista. Em outras palavras, se a equipe tem um desempenho ruim, no final do dia, a culpa é do seu coordenador e é ele quem será cobrado.

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“Se alguém atrasa um projeto ou o entrega com baixa qualidade, o problema é do líder. Por isso, a função dele é mesmo a de cobrar, para que tudo seja entregue no prazo e com qualidade”, diz Taís.

“Muita gente acha que o líder é invasivo demais, controlador, quando ele não é. Às vezes, está apenas tentando ajudar, mas o funcionário não enxerga isso. A verdade é que, se um erro passa, o diretor, geralmente, não quer saber quem é o autor do erro e o líder terá de responder pela falha”, acrescenta.

Chefes que deixam saudade

Existe um tipo de chefe muito comum, mas que costuma estar entre os mais criticados nas empresas. O exigente demais. Parece que nada está bom para ele. No entanto, por pior que pareça, as críticas desse tipo de líder são, geralmente, construtivas, baseadas em vasta experiência, muito estudo ou em uma visão única de mercado, e constituem um valioso aprendizado.

Segundo Taís, para trabalhar com chefes com esse perfil, é importante entender o que eles esperam, sem medo de tirar dúvidas. “Quando o líder passar uma tarefa ao colaborador, este deve entender o que realmente é para ser feito. Para tanto, nada melhor do que perguntar: é isso que você espera?”.

Porém, é justamente com o chefe “cricri” que os profissionais costumam aprender mais e, a certa altura de suas carreiras, não é raro que sintam falta dele, mesmo que tenham se passado anos a fio! Logo, se você tem um líder assim, aproveite para absorver seus conhecimentos e sua experiência!

Seja profissional, não amigo!

Taís ressalta que é essencial preservar um bom relacionamento com o líder, o que não significa ser seu amigo. “As pessoas confundem muito, acham que porque seu superior não é seu amigo não é possível confiar nele”, garante a especialista.

A boa notícia é que é sim possível – e até necessário – cultivar uma relação baseada na maturidade e na confiança, mesmo quando não se é amigo do chefe. Até certo ponto, pode ser até melhor, porque inexiste uma confusão dos papéis de amigo e de colega de trabalho. “Com uma relação de confiança, o trabalho flui”, completa ela.